Crédito a 33 anos: porque os prazos da casa nunca foram tão longos
Há uma forma silenciosa de tornar uma prestação mais leve sem ganhar mais nem comprar mais barato: alongar o prazo. E é isso que os portugueses estão a fazer. Segundo a análise de mercado do ComparaJá, o prazo médio dos novos contratos de crédito à habitação subiu para 33 anos, mais dois do que no mês anterior e acima do registado há um ano.
O que está por trás
O movimento anda de mãos dadas com o montante. Com o valor médio financiado a ultrapassar os 203 mil euros, alongar o prazo é a forma que muitas famílias encontram de manter a prestação dentro do orçamento. Há um ano, o prazo médio rondava os 30 anos; em doze meses, o ponto de equilíbrio deslocou-se vários anos para a frente. Existem, ainda assim, prazos máximos que dependem da idade do mutuário.
A lógica do prazo
Alongar o prazo baixa a prestação de hoje, mas aumenta o total de juros pagos ao longo do empréstimo. É um equilíbrio entre o que se aguenta pagar agora e o que se aceita pagar no total. A pressão é mais visível entre os mais jovens: mesmo com prazos longos, os clientes com menos de 35 anos contratam uma prestação média de 817 euros, acima dos 715 euros dos mutuários com mais de 35.
Como mitigar o custo
Os especialistas recomendam encarar o prazo longo como ferramenta, não como destino. Amortizar o crédito sempre que houver folga encurta o empréstimo por dentro e reduz os juros totais. Fazer as contas ao impacto de cada reforço de capital ajuda a perceber quanto se poupa e a escolher o melhor momento para o fazer.
«Os prazos a alongar mostram famílias a esforçar-se para manter as prestações comportáveis num mercado de preços elevados. É uma estratégia legítima, mas exige consciência do custo total. Comparar e, sempre que possível, amortizar, faz toda a diferença ao fim de 33 anos.»
Rita Sogalho, Especialista de Crédito Habitação do ComparaJá.pt
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