BYD: número um mundial até 2030!
A BYD Auto, fabricante chinesa no ativo apenas desde 2003, continua comprometida com programa de expansão global que privilegia muito a Europa, a produção de nova geração de baterias e o desenvolvimento e a disseminação das tecnologias associadas à condução autónoma. E anunciou objetivo ambicioso para a próxima década: tornar-se o maior fabricante automóvel do mundo até 2030, superAndo a Toyota, que assumiu a posição pela primeira vez em 2008, sucedendo à General Motors, que detinha o estatuto desde… 1931. Disse-o Wang Chuanfu, fundador e presidente da divisão do consórcio criado em 1995, em Shenzhen, China.
Atualmente, a expansão internacional da BYD ganha tração significativa, mas a marca, para atingir a meta autoproposta, encontra-se obrigada a mais do que duplicar os volumes globais de produção e vendas. Em 2025, o fabricante chinês vendeu 4,6 milhões de automóveis, enquanto a Toyota, que renovou o estatuto de número um mundial, entregou 11,3 milhões. O ano passado, no “ranking” da indústria, BYD na quinta posição – superaram-na, também, o Grupo Volkswagen e os consórcios Hyundai e Stellantis.
Um resultado muito positivo, ainda assim, tanto mais que a empresa apresenta uma trajetória de crescimento sustentado, como demonstra o aumento de 7,7% nos registos de carros novos, na comparação com 2024. Segredos do sucesso: competitividade de preço, inovação tecnológica e capacidade fortíssima de verticalização industrial (a empresa controla quase todas as etapas da cadeia de valor, uma vez que não depende de fornecedores externos para produzir baterias, motores, semicondutores, etc.).
Europa no epicentro da expansão internacionalA internacionalização é determinante para o sucesso desta estratégia, uma vez que os sinais do mercado doméstico chinês são de abrandamento (em maio, redução de 24% nas vendas de carros novos, comparativamente ao mesmo mês do ano passado). Para reduzir a dependência da China, a BYD olha para o exterior e investe cada vez mais no aumento da presença em mercados externos.Os números demonstram-no: em maio, as vendas fora da China aumentaram cerca de 80%, igualmente no frente a frente com o período homólogo de 2025,superando as 160.000 unidades, enquanto domésticas ficaram abaixo das 223.000. No total, as entregas globais mensais de automóveis elétricos e híbridos Plug-In aproximaram-se das 383.000.
O objetivo da marca para este ano é de mais 1,5 milhões de carros vendidos fora da China, número que até pode ultrapassar, considerando a dinâmica atual de procura.Na Europa, aposta-se numa política de localização da produção, com o objetivo de reduzir os custos logísticos, mitigar os impactos das tarifas impostas pela União Europeia (EU) e cumprir os requisitos de região que os consumidores mais exigentes do mundo. Neste contexto, analisa-se a compra de unidade industrial no sul do continente, e uma das localizações em estudo situa-se aqui ao lado, em Espanha.
Este movimento complementa o investimento em curso na Hungria, onde a BYD deve iniciar a produção de automóveis ainda este ano, mesmo registando-se um atraso na implementação do programa, relativamente ao calendário original. E a estratégia dos chineses também poderá passar pela utilização de fábricas que produzem muito abaixo da capacidade instalada, problema com que estão confrontados diversos protagonistas importantes da indústria europeia.
Crescimento acelerado e impacto na EuropaO ritmo de crescimento da BYD na Europa é impressionante. Em 2025, comparativamente a 2024, as vendas aumentaram mais de 270%, atingindo cerca de 188.000automóveis. Esta velocidade de expansão está a aumentar a pressão sobre as marcas tradicionais da região, sobretudo no segmento dos carros elétricos e eletrificados.
A BYD também adotou a inovação tecnológica como motor de crescimento. A empresa chinesa tem investido fortemente no desenvolvimento de novas gerações de baterias, desenvolvendo a fórmula própria Blade com tecnologia LFP (fosfato de ferro-lítio).A versão mais recente introduz capacidades de carregamento ultrarrápido que permitem aumentar a energia armazenada no acumulador de 10% para 70% em cerca de cinco minutos! Segundo Wang Chuanfu, só este recurso pode acrescentar entre 20.000 e 30.000 unidades mensais às vendas da marca, à medida que a capacidade de produção aumentar.
Além das baterias, a BYD prepara a introdução de novas soluções de condução autónoma e sistemas de assistência, que está a desenvolver internamente. E a empresa compromete-se com a apresentação de tecnologias “disruptivas” já a partir de 2027, de forma a aumentar a diferenciação para a concorrência direta.
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