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Margem financeira e custos operacionais pressionam ROE da banca para 13,65%

Margem financeira e custos operacionais pressionam ROE da banca para 13,65%

O sistema bancário português registou uma ligeira redução na sua rendibilidade no primeiro trimestre de 2026, num período em que o ativo total cresceu e a qualidade dos ativos se manteve sólida, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
De acordo com o relatório “Sistema Bancário Português: Desenvolvimentos Recentes”, a rendibilidade do ativo (ROA) fixou-se em 1,27% (menos 0,02 pontos percentuais – pp) e a rendibilidade do capital próprio (ROE) recuou para 13,65% (menos 0,29 pp) face ao período homólogo. O regulador justifica esta evolução com o aumento do ativo e dos custos operacionais, a par de uma diminuição da margem financeira.
O rácio cost-to-income (que mede a eficiência operacional) aumentou para 44,0%, penalizado sobretudo pelo acréscimo dos custos com pessoal e com tecnologias de informação. Por outro lado, o custo do risco de crédito manteve-se em níveis reduzidos (0,12%).
No que toca à estrutura do balanço, o ativo total da banca aumentou 2,1% no primeiro trimestre do ano, impulsionado maioritariamente pelo crescimento dos empréstimos a clientes. Os depósitos de clientes mantiveram-se como a principal fonte de financiamento das instituições de crédito, crescendo 2,7%, o que fez com que o rácio de transformação (empréstimos face a depósitos) recuasse para 75,7%. A exposição a títulos de dívida pública subiu marginalmente para 20,2% do ativo.
A qualidade dos ativos da banca “manteve-se sólida”, com o rácio de créditos não produtivos (Non-Performing Loans – NPL) bruto estável nos 2,1% e a respetiva cobertura por imparidades nos 55,4%. No entanto, o BdP assinalou um aumento do rácio de empréstimos em stage 2 (crédito com risco de incumprimento acrescido) para 8,3%, refletindo a evolução no segmento das famílias, em especial no crédito à habitação.
Nas novas operações de crédito, a taxa de juro média fixou-se em 2,8% na habitação (menos 0,1 pp) e em 3,6% nas empresas. Em termos homólogos, as taxas de variação anual dos empréstimos continuaram a subir, atingindo 10,3% na habitação e 5,6% no segmento empresarial. A maturidade média dos novos contratos de crédito à habitação manteve-se nos 32 anos, enquanto o rácio que mede o esforço financeiro dos clientes (DSTI médio) subiu para 30,4%.
A nível da solvabilidade, o rácio de fundos próprios principais de nível 1 (CET 1) permaneceu inalterado em 18,0%, enquanto o rácio de fundos próprios totais progrediu ligeiramente para 20,8%. Já o rácio de cobertura de liquidez (LCR) sofreu uma redução de 14 pontos percentuais, fixando-se em 245,9%.
Num capítulo “Em foco” dedicado aos depósitos bancários, o BdP sublinha que estes representavam 63% do ativo bancário em 2025. O regulador nota que a subida de juros iniciada em 2022 alterou a composição das poupanças, com o reforço das aplicações a prazo em detrimento dos depósitos à ordem. O mercado apresenta uma concentração moderada, com os três maiores bancos a deterem 57% dos depósitos de famílias e 47% dos depósitos de empresas. O BdP destaca ainda que o Fundo de Garantia de Depósitos garante a cobertura total a 98% dos depositantes no país.
No enquadramento macroeconómico, o BdP recorda que o Produto Interno Bruto (PIB) português cresceu 2,3% em termos homólogos no primeiro trimestre de 2026. Contudo, a variação em cadeia foi nula, afetada pelo contributo negativo da procura externa líquida, num contexto que incluiu o investimento num centro de dados em Sines com forte incorporação de componentes importadas. A inflação homóloga subiu para 2,7% em março e o mercado imobiliário residencial continuou a registar uma subi

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