Moody’s reafirma ‘rating’ da Caixa Central de Crédito Agrícola
A agência de notação financeira Moody’s Ratings (Moody’s) afirmou hoje os ‘ratings’ da Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo, CRL (Caixa Central). A decisão abrange a notação de depósitos de longo prazo, em ‘A3’ com ‘Prime-2’ para o curto prazo, e a dívida sénior não garantida, em ‘Baa2’.
Em comunicado, a Moody’s confirmou ainda a avaliação de crédito base (BCA) e BCA Ajustada em ‘baa1’, a Avaliação de Risco de Contraparte (CR Assessment) em ‘A2(cr)/Prime-1(cr)’ e os Ratings de Risco de Contraparte (CRR) em ‘A2/Prime-1’. A perspetiva para os ‘ratings’ de depósitos de longo prazo e de dívida sénior não garantida mantém-se estável.
A afirmação do BCA em ‘baa1’ reflete o papel central da Caixa Central no Grupo Crédito Agrícola (GCA), uma rede de bancos cooperativos portugueses unidos por um mecanismo de solidariedade legal. A notação espelha, assim, a qualidade creditícia consolidada do grupo, dado que a Caixa Central funciona como a sua tesouraria central e única entidade emitente de dívida.
A Moody’s destaca a melhoria contínua dos ativos do grupo, com o rácio de ativos não produtivos (NPAs) a situar-se em cerca de 5,3% em março de 2026, e o rácio de empréstimos não produtivos (NPL) a descer para 3,7%, comparativamente a 4,5% no ano anterior. Embora ainda acima da média nacional (2,1%) e europeia (2,2%), a gestão prevê reduzi-lo para abaixo dos 3,5% no médio prazo.
A capitalização é apontada como “muito forte”, com um rácio Common Equity Tier 1 (CET1) de 23,3% em março, confortavelmente acima do requisito regulamentar de 9,91%. A agência espera que o capital se mantenha acima do limiar interno de 20%, sustentado pela forte geração de resultados e elevada retenção de lucros, característica da estrutura cooperativa e da baixa distribuição de dividendos.
A rentabilidade, embora em normalização após os níveis excecionais de 2024, continua “sólida”. O rácio lucro líquido/ativos tangíveis caiu para 1,0% em 2025 (de 1,6% em 2024), mas a Moody’s prevê uma estabilização entre 0,75% e 1,0%, apoiada pelo crescimento do balanço e pela reprecriação dos empréstimos. O perfil de liquidez é também considerado forte, com os depósitos de clientes a representarem cerca de 90% do financiamento total e o banco a deter uma almofada de ativos líquidos de alta qualidade de aproximadamente 9,0 mil milhões de euros.
A afirmação do ‘rating’ de depósitos de longo prazo em ‘A3’ e da dívida sénior não garantida em ‘Baa2’ reflete a confirmação do BCA em ‘baa1’ e o resultado da análise de perda em caso de incumprimento (LGF), que concede um nível de elevação para os depósitos e um nível negativo para a dívida sénior. A Moody’s manteve ainda a assunção de uma baixa probabilidade de apoio governamental, o que não resulta em qualquer elevação adicional.
Perspetiva estável
A perspetiva estável para os ‘ratings’ de depósitos de longo prazo e da dívida sénior não garantida reflete a visão da Moody’s de que as melhorias esperadas nos fundamentos financeiros do banco já estão captadas nas notações atuais.
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