Nobel da Economia, James A. Robinson, assina estudo sobre Portugal apresentado pela CIP
A CIP – Confederação Empresarial de Portugal e o IDL – Instituto Amaro da Costa vão apresentar no próximo dia 30 de julho, em Lisboa, um novo estudo dedicado ao desenvolvimento da economia portuguesa, assinado pelo economista norte-americano e prémio nobel da economia James A. Robinson e pelo académico português Nuno Palma. O trabalho propõe uma leitura abrangente das principais áreas da economia nacional e pretende contribuir para a formulação de políticas públicas orientadas para o reforço da competitividade e da produtividade do país.
O estudo surge num momento em que o debate sobre o crescimento económico de Portugal volta a ganhar centralidade, num contexto de desaceleração europeia e de pressão sobre o modelo de desenvolvimento assente em baixos custos e forte dependência de fundos externos.
Figura central da economia política contemporânea, James A. Robinson é professor catedrático na Harris School of Public Policy e no Departamento de Ciência Política da Universidade de Chicago. Reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho sobre instituições e desenvolvimento, é co-autor de Porque Falham as Nações, obra que marcou o debate académico e político sobre as causas profundas da prosperidade e do declínio das nações. Em 2024, foi distinguido com o Prémio Nobel da Economia, reforçando a sua posição como uma das referências globais na análise institucional do desenvolvimento económico.
Ao seu lado neste projeto está Nuno Palma, professor catedrático e diretor do Arthur Lewis Lab Comparative Development, na Universidade de Manchester. Especialista em História Económica e Economia Política, Palma tem procurado revisitar criticamente as trajetórias de crescimento e estagnação da economia portuguesa. É autor de obras como As Causas do Atraso Português e O Vício dos Fundos Europeus, onde argumenta que certas dependências estruturais terão condicionado o desenvolvimento económico do país ao longo das últimas décadas.
Promovido pela Confederação Empresarial de Portugal e pelo Instituto Amaro da Costa, o estudo pretende ir além do diagnóstico conjuntural, propondo uma leitura estrutural da economia portuguesa, com especial enfoque nas instituições, nos incentivos à produtividade e na capacidade de geração de riqueza.
Embora ainda não tenham sido divulgadas as conclusões detalhadas, a expectativa em torno do documento é elevada, sobretudo pelo cruzamento entre duas abordagens complementares: a teoria institucional comparada de Robinson e a leitura histórico-económica de Palma. Em conjunto, os autores procuram identificar os bloqueios persistentes ao desenvolvimento português e apontar caminhos para uma trajetória de convergência mais sustentada com as economias mais avançadas da Europa.
A apresentação pública, marcada para o final de julho em Lisboa, deverá reunir empresários, académicos e decisores políticos, num momento em que se intensifica a discussão sobre o futuro do modelo económico português e a eficácia das políticas de crescimento seguidas nas últimas décadas.
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