Aplicação portuguesa com IA protege mais velhos de burlas
Os avanços tecnológicos têm trazido coisas boas, contudo também têm aumentado as burlas e o cibercrime. Atualmente, as burlas são cada vez mais usuais e mais bem feitas. Perante este novo normal são várias as aplicações que nascem para combater estas burlas. A mais recente é a Guardião, uma aplicação desenvolvida por Rita Barbosa, que usa IA com um só propósito, “proteger as pessoas”.
A ideia para esta aplicação nasceu de uma história pessoal, depois de a avó de Rita ter atendido uma chamada e ser burlada. Com o mote de proteger os mais vulneráveis, Rita avançou com a criação desta aplicação, que vai ficar disponível, de forma gratuita, ainda este ano.
Ao Jornal Económico, Rita explica que o Guardião é a “primeira camada de proteção contra burlas nos telemóveis que utiliza IA para intercetar chamadas e SMS fraudulentas antes de sequer chegarem ao telemóvel, de forma proativa e invisível”. Assim a aplicação consegue intercetar as burlas sem o utilizador saber que está a ser ameaçado.
Por trás da aplicação estão modelos de IA treinados para reconhecer os padrões reais de burla que circulam. “Esses modelos foram afinados com dados de fraudes reais partilhados pela Polícia de Segurança Pública, com quem mantemos um protocolo formal de cooperação. São modelos pequenos, desenhados para correr no próprio telemóvel, o que significa que a análise acontece localmente, no dispositivo, sem que,
nenhuma conversa ou mensagem seja enviada para servidores externos”, explica. Rita Barbosa refere que esta aplicação foi construída com humanistic AI, e assenta em três pilares, validação institucional, científica e profundidade de engenharia.
Esta aplicação já tem um protocolo assinado com a PSP e conta com o apoio do Presidente da República, António José Seguro. As burlas têm evoluído muito rapidamente, sendo já possível clonar uma voz ou imitar uma instituição, sendo que a tendência é de que continuem a evoluir tecnologicamente.
Para fazer face a esta constante evolução o Guardião “não é um sistema fechado”. “Os modelos de IA são continuamente treinados com os novos padrões de fraude que vão surgindo”, assim a aplicação integra a tecnologia utilizada pelos burlões, de forma que esta atue do lado de quem protege.
Atualmente, a aplicação encontra-se em fase de testes internos, o que permite “afinar os modelos com situações reais e aprimorar o produto do dia a dia das famílias portuguesas. Rita Barbosa afirma que o feedback dos testes “tem sido muito bom”.
A aplicação vai ser gratuita, uma vez que na sua opinião “estar protegido é um direito”. “O modelo que sustenta o projeto assenta na cooperação com as instituições mais próximas do problema, para que a proteção possa chegar, a prazo, ao maior número possível de dispositivos”, refere.
O principal objetivo deste lançamento é “proteger o maior número de pessoas possível” e a eficácia vai ser medida “em burlas que deixam de acontecer”. Para realizar esta medição será feito um estudo com a Escola de Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, tendo como objetivo acompanhar o impacto real da aplicação.
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