Portugal tem a 15ª maior reserva mundial de ouro
Portugal tem a 15ª maior reserva mundial de ouro, de acordo com os dados da corretora BestBrokers. A lista é liderada pelos Estados Unidos, com 8.133 toneladas seguida pela Alemanha e por Itália com 3.350 toneladas e 2.451 toneladas.
O top 5 é fechado por França e pela China que possuem reservas de 2.437 toneladas e 2.321 toneladas.
Nos dez mais está ainda a Rússia, Suíça, Índia, Japão, e Países Baixos.
Portugal surge na 15ª posição com reservas calculadas em 382 toneladas. O país fica ainda atrás da Polónia, Turquia, Taiwan e Uzbequistão.
“À medida que os bancos centrais continuam a reforçar as suas reservas de ouro, as reservas oficiais ultrapassaram as 36 mil toneladas, o nível mais elevado em 50 anos. Ao mesmo tempo, o ouro entrou numa forte correção, caminhando para a sua maior queda mensal desde 2008, evidenciando uma forte divergência entre a acumulação a longo prazo e a pressão do mercado a curto prazo. Os preços do ouro atingiram vários máximos históricos ao longo de 2025 e continuaram a subir nos primeiros meses de 2026. Enquanto alguns países aceleraram as suas compras para reforçar e diversificar as suas reservas, outros aproveitaram os preços elevados para obter ganhos com a venda de parte das suas reservas.”, salienta a corretora.
Verifica-se também uma “crescente concentração” de ouro nas carteiras de reservas nacionais, com nove países a alocar agora mais de 80% das suas reservas totais ao metal, assinala a BestBrokers.
“A Venezuela continua a ser a economia mais dependente do ouro por uma margem considerável, com o ouro a representar 92,5% das suas reservas, uma proporção inalterada desde 2018. Seguem-se o Uzbequistão (86,9%) e a Bolívia (85,7%), enquanto os Estados Unidos (83,3%) e a Alemanha (83%) completam os cinco primeiros, ambos mantendo níveis de alocação igualmente elevados. No contexto das reservas globais avaliadas em 4,15 biliões de euros, esta concentração reforça o papel contínuo do ouro como âncora estratégica de reservas para um grupo restrito de economias. O valor combinado das reservas de ouro dos cinco principais países é de 2,12 biliões de euros, enquanto as nove nações que ultrapassam o limite de 80% detêm, coletivamente, 1,96 biliões de euros, evidenciando uma crescente divergência nas estratégias de reservas entre os bancos centrais”, diz a corretora.
A corretora sublinha que uma elevada participação das reservas em ouro “não significa necessariamente” que um país possua um grande stock do metal. “Embora a Venezuela (92,5%), o Uzbequistão (86,9%) e a Bolívia (85,7%) liderem o ranking por concentração, as suas reservas variam entre apenas 23,5 toneladas (2,7 mil milhões de euros) na Bolívia e 414,3 toneladas (47 mil milhões de euros) no Uzbequistão”, acrescenta.
“As razões também são diferentes: países como a Venezuela e o Líbano dependem fortemente do ouro no meio de uma prolongada instabilidade económica e cambial, enquanto a elevada participação do Uzbequistão reflete a sua posição como um dos principais produtores de ouro do mundo, permitindo ao seu banco central acumular reservas a partir da produção nacional de minas”, explica a BestBrokers.
A corretora salienta que os Estados Unidos e a Alemanha comprovam que o ouro “continua a ser estrategicamente importante” mesmo para as economias mais fortes do mundo.
“Apesar de terem acesso a mercados financeiros profundos e a moedas de reserva altamente líquidas, ambos mantêm mais de 83% das suas reservas oficiais em ouro, em valor, o equivalente a 923 mil milhões de euros e 380 mil milhões de euros, respetivamente. Figuram também como os dois maiores detentores oficiais de ouro do mundo, com 8.133,5 e 3.350,3 toneladas, muito à frente de todos os outros países. A sua contínua dependência do ouro faz parte da tendência global para o considerar cada vez mais um activo de reserva estratégica no meio da incerteza geopolítica e económica”, assinala.
No caso da Itália e da França o ouro ainda representa cerca de 80% das reservas cambiais de ambos os países. “Ambos os bancos centrais continuam a considerar o ouro um ativo estratégico de longo prazo que sustenta a confiança no sistema financeiro”, refere a corretora.
Suíça lidera no ouro per capita
“O ouro per capita inverte a hierarquia habitual das reservas globais. A Suíça lidera claramente com cerca de 13.100 euros (115 gramas) por pessoa, enquanto o Líbano se mantém firmemente no grupo de elite, em vez de fora dele: com aproximadamente 5.518 euros (48,64 gramas) por cidadão, ocupa o 2º lugar globalmente per capita, mas também se encontra confortavelmente entre as principais economias de concentração – 6º lugar em participação nas reservas, com 81,20%. Itália, Alemanha e França agrupam-se surpreendentemente perto, com cerca de 36 a 42 gramas por pessoa (entre 4.100 e 4.700 euros cada), apesar de terem economias e histórias políticas muito diferentes”, diz.
A Best Brokers diz ainda que este ano a Polónia reforçou a sua reputação como comprador de destaque, acrescentando mais de 45 toneladas este ano e elevando as suas reservas para 595,65 toneladas, ultrapassando a China. “Ao mesmo tempo, a Turquia ultrapassou a Rússia como o maior vendedor líquido, desfazendo-se de cerca de 78 toneladas, principalmente através de gestão de liquidez e swaps, enquanto a Rússia continuou com reduções mais graduais ligadas a pressões fiscais. Esta divergência mostra um mercado dividido: alguns bancos centrais ainda estão a construir reservas de forma agressiva, enquanto outros estão a rentabilizar ativamente o ouro para estabilizar as condições internas”, refere a corretora.
“O mapa do ouro para 2026 é cada vez mais definido pela divergência em vez da direção: os gestores de reservas já não estão a mover-se em conjunto, mas sim a dividir-se em três comportamentos distintos – países como a Polónia e partes da Ásia a acelerar a acumulação para reconstruir reservas estratégicas; economias avançadas a manter grandes stocks legados, mas “congelados”, com alocações estáveis; e um grupo mais pequeno (nomeadamente a Turquia e a Rússia) a utilizar ativamente o ouro como instrumento de liquidez e a vender em momentos de alta. O resultado é um mercado onde as posições estão a mudar não porque todos estão a comprar ou a vender ao mesmo tempo, mas porque cada banco central está a responder a pressões macroeconómicas completamente diferentes”, disse o analista de dados sénior da BestBrokers, Alan Goldberg.
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