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Instituições reveem em alta inflação em Portugal em 2026 para cerca de 3%

Instituições reveem em alta inflação em Portugal em 2026 para cerca de 3%

Os preços vão subir mais do que o antecipado este ano, com o impacto do conflito no Médio Oriente, levando as instituições que seguem a economia portuguesa a rever as previsões para a inflação para cerca de 3%.
Segundo a estimativa rápida divulgada hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação fixou-se em 3,2% em junho, em termos homólogos, um abrandamento face aos 3,3% registados no mês anterior.
O indicador de inflação subjacente (índice total excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos) terá registado, em junho, uma taxa de variação homóloga de 2,5%, 0,3 pontos percentuais acima do verificado em maio.
Os preços dos combustíveis tiveram um forte aumento nos últimos meses, num contexto de forte tensão geopolítica no Médio Oriente, com os preços do petróleo pressionados pelo encerramento do estreito de Ormuz e pela volatilidade dos mercados internacionais.
Em 21 de junho, Irão e Estados Unidos acordaram em manter um período de 60 dias para alcançar um acordo definitivo e uma paz duradoura, na sequência de um memorando de entendimento que estabeleceu um cessar-fogo aos mais de 100 dias de guerra e permitiu a reabertura do estreito de Ormuz.
No entanto, permanece a incerteza à volta da resolução deste conflito, que deverá assim continuar a afetar os preços e a provocar volatilidade.
Para o conjunto do ano, as estimativas das instituições nacionais e internacionais para Portugal foram revistas em alta, a começar pelo Governo, que no relatório anual de progresso entregue a Bruxelas no final de abril apontou para uma inflação de 2,5%, acima dos 2,1% anteriormente previstos.
Mesmo assim, o executivo é o mais otimista no que diz respeito à evolução dos preços este ano. O Conselho das Finanças Públicas projeta uma inflação de 2,9%, segundo as estimativas de abril, enquanto a Comissão Europeia apontou, em maio, para uma variação do índice harmonizado de preços de 3%.
Prevê-se que a inflação geral, medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), que permite comparações entre os países, “atinja o pico no segundo trimestre de 2026 e que diminua gradualmente depois disso, uma vez que o aumento acentuado dos preços da energia deverá ter apenas um efeito moderado e desfasado nos bens e serviços intensivos em energia”, considera a Comissão Europeia.
Já o Banco de Portugal (BdP), no Boletim Económico de junho, antecipou que a inflação vai atingir os 3,1% este ano, e regressar a valores próximos de 2% nos anos seguintes.
“A subida da inflação em 2026 reflete, em larga medida, o aumento do preço do petróleo associado à guerra no Irão, que afetou uma parcela significativa do abastecimento mundial de matérias-primas energéticas”, lê-se no documento.
Por sua vez, a OCDE, no Economic Outlook divulgado em junho, sinalizou que os preços mais altos da energia irão impactar a economia portuguesa e que a inflação deverá atingir um pico de 3,2% em 2026.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) é mesmo o mais pessimista, projetando que a inflação deverá aumentar para 3,4% em 2026, impulsionada pela subida dos preços das matérias-primas e, em menor grau, pelas pressões salariais, antes de recuar em 2027 para 2,3%.
A subida de preços tem-se verificado de forma geral na Europa e, neste contexto, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu, em 11 de junho, subir as taxas de juro em 25 pontos base, para 2,25%, naquele que foi o primeiro aumento das taxas diretoras em quase três anos, desde setembro de 2023.
O Conselho do BCE explicou, na altura, que “a guerra no Médio Oriente está a gerar pressões inflacionistas e a decisão de aumentar as taxas de juro apresenta-se robusta face a um conjunto de cenários, que mapeiam a forma como o choque poderá evoluir e afetar as perspetivas de médio prazo para a área do euro”.

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