Nouriel Roubini: se nada fizer, a Europa aproxima-se perigosamente do fim
O ‘oráculo’ Nouriel Roubini, que antecipou uma das inúmeras crises por que a humanidade passou nas últimas décadas, não podia ter sido mais cáustico com a Europa: “se não conseguir fazer o mercado único, a união bancária e deixar para trás a burocracia e o excesso regulatório”, ficará inevitavelmente para trás, ‘atropelada’ pelos Estados Unidos e pela China (e seus respetivos ‘satélites’. Na sessão de abertura da QSP Summit – que estará ativa no Porto (ou em Matosinhos) nos próximos dois dias (e de que o JE é um dos ‘sponsors’ Roubini dificilmente podia ser mais crítico da Europa.
E fez um pequeno exercício histórico: no início da supremacia da tecnologia (nos tempos modernos), “os Estados Unidos inovavam, a China imitava e a Europa regulava; agora, os Estados Unidos inovam, a China também e a Europa continua a regular”. E deixou um assombroso conselho: “imitem”, que é como quem queria dizer “copiem”. E disse. E deve fazê-lo sem qualquer objeção: “a eletricidade foi inventada nos Estados Unidos”; no fim do mundo” uma aldeia perdida não teria eletricidade se não copiasse”.
Um segundo conselho: para Nouriel Roubini, os Europeus devem também encontrar forma de assumir riscos de forma comum – o que começa desde logo pela defesa comum. Os acontecimentos recentes na Ucrânia e no Médio Oriente assim o aconselham.
Quanto ao resto – ou seja, quanto aos Estados Unidos – Roubini não parece estar excessivamente preocupado: apenas prudentemente preocupado. Por uma razão simples: para todas as loucuras (palavra que não usou) de Donald Trump, o mercado (o mobiliário e o da dívida) encontram sempre um remédio. Dito de outra forma: Trump já deu mostras – ou pelo menos Roubini acha que sim – que, quando o mercado se queixa, o presidente dos Estados Unidos acobarda-se (palavra que usou duas vezes) e volta atrás. Aconteceu isso com as tarifas – muito à custa do facto de a China ser quase monopolista da posse e mineração dos minerais críticos.
A intervenção do famoso economista levou de passagem a década mais recente, que começou como começou e redundou “num mundo que podíamos qualificar como incerto e instável”. Uma década (2016-26) disruptiva, que começou com a pandemia, mas que passou depois pela vitória de Joe Biden nas eleições norte-americanas, ”com Donald Trump a não aceitar”. Depois houve a invasão da Ucrânia. Mas, ainda em 2022 houve a maior revolução, a da inteligência artificial. E essa, disse Roubini, é a maior de todas as revoluções. “A Inteligência Artificia é a maior inovação tecnológica do génio humano. Mais que o fogo, a imprensa, a revolução industrial, as ferrovias a revolução francesa. Todos estão obcecados com a IA – “mas é apenas mais uma das inovações do futuro”. Outra: “há uma revolução nos semicondutores”.
Quanto a Portugal, “estou otimista”, uma vez que tem dado mostras de ser uma economia atrativa. Tem o problema do imobiliário, é certo, mas tem, do outro lado, talento – essência da inovação – o que é um excelente indicador.
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