Negócio da refinaria de Sines “coloca em causa soberania energética nacional”
A passagem da refinaria de Sines para uma sociedade controlada maioritariamente pelos espanhóis da Moeve está a ser fortemente criticada pela Comissão de Trabalhadores (CCT) da Galp.
“A posição da CCT mantém-se inequívoca: o negócio Galp/Moeve coloca em causa a soberania energética nacional, a continuidade da Refinaria de Sines e os postos de trabalho de quem nela trabalha”, segundo comunicado divulgado esta quarta-feira, dia em que a ministra Maria da Graça Carvalho vai ao Parlamento responder a questões dos deputados sobre esta operação.
“Desde o início que a CCT alertou para as consequências desta operação, elaborou documentos fundamentados e remeteu-os ao Primeiro-Ministro e à Sra. Ministra do Ambiente e Energia. A resposta foi nenhuma. O silêncio do Governo foi sempre a resposta. E continua a sê-lo, agora disfarçado de anúncio”, em referência à criação do fundo soberano nacional.
“As declarações da Sra. Ministra do Ambiente e Energia (…) vieram fornecer o enquadramento que faltava a este anúncio, apresentando o fundo soberano como uma resposta tranquilizadora para as preocupações legítimas em torno do negócio Galp/Moeve. Não é. (…) O que agora se acrescenta é apenas mais uma camada de comunicação sobre um negócio que o Governo não quer verdadeiramente discutir”, segundo a CCT.
Os trabalhadores da Galp recordam que a operação prevê que a “Refinaria de Sines seja integrada, juntamente com as refinarias da Moeve em Espanha, numa terceira sociedade, a IndustrialCo, na qual a Galp deterá uma participação de cerca de 20%. Isto significa que o controlo direto da Refinaria de Sines deixa de estar nas mãos da Galp, sem qualquer garantia sobre o modelo de gestão, as opções estratégicas ou o futuro do emprego em Sines”.
E isto, “num momento em que a situação internacional torna ainda mais evidente o valor estratégico das refinarias, alienar o controlo da Refinaria de Sines é um erro que não se corrige com fundos soberanos sem regras. Os ataques a refinarias no médio oriente, na Ucrânia e na Rússia não deixam margem para dúvidas sobre o que representa perder a capacidade de produção nacional de combustíveis. Portugal não pode dar-se a esse luxo”.
“A Refinaria de Sines é soberania energética, mas é também emprego. São trabalhadores com famílias e projetos de vida, é uma cadeia de valor que sustenta comunidades inteiras e é um ativo que o país levou décadas a construir. Nenhum destes pilares é garantido pela estrutura que este negócio cria. A IndustrialCo com 20% da Galp não é uma garantia. É uma miragem. A CCT não se deixa iludir e continuará a exigir respostas concretas sobre o futuro da Refinaria de
Sines, a garantia efetiva dos postos de trabalho de todos os trabalhadores e a soberania energética do nosso país. Esta posição não muda com anúncios. Não muda com silêncios. Não muda”, conclui a CT da Galp.
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