Ministro da Educação diz que problema é informático e garante correção dos exames nacionais no prazo
O ministro da Educação disse esta quarta-feira, 1, que tem a garantia do presidente do EduQA, Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, Luís Santos, comprovado pelo presidente do Júri Nacional de Exames, Rui Pires, de que os prazos da correção dos exames nacionais serão cumpridos.
“Eles são os responsáveis pelo processo. A responsabilidade do Ministério é garantir os recursos. E a responsabilidade que eu tenho também é garantir que vamos ter uma avaliação rigorosa de todos os estudantes”, afirmou Fernando Alexandre aos deputados, durante a audição regimental na comissão parlamentar de Educação e Ciência.
O ministro da Educação, Ciência e Inovação esclareceu que o problema que existe é um problema exclusivo de programação de fundo informático. “A digitalização física está concluída, a recolha das provas, a distribuição foi tudo concluído. Corre tudo exatamente como previsto. Aquilo que está a surgir é um problema informático (…) os problemas que estão, no fundo, a causar o atraso no processo face ao calendário que tinha sido anunciado não têm qualquer relação com a reorganização, com a reforma do Ministério. Aliás, a auditoria poderá comprovar isso muito facilmente”.
Fernando Alexandre disse ainda que foi perguntado ao EduQA se eram necessários mais recursos dado ter no Ministério no âmbito da reforma, equipas contratadas, e que numa fase inicial lhe foi dito que não, mas depois aceite. “O EduQA é que foi avaliando, nós não interferimos com as decisões (…) Quando sentimos que os prazos estavam a tornar mais difíceis de cumprir, pressionamos para nos comprovarem que conseguiam cumprir o prazo”.
Questionado, Fernando Alexandre esclareceu que a primeira fase da digitalização está toda concluída, foi feita nas instalações da Imprensa Nacional Casa da Moeda por professores e colaboradores do EduQA. “Quem fez não é nenhuma empresa”, afirmou.
O ministro também esclareceu que “as máquinas de digitalização foram todas financiadas pelo PRR”, que tem regras rigorosas de contratação que está certo que a EduQA cumpriu.
“O que eu garanto e vou voltar a repetir é rigor na classificação dos exames e a possibilidade de os estudantes verificarem a sua avaliação . Total transparência nisso. Esse é o ponto que o ministro tem de garantir, essa é a minha responsabilidade última e, como já disse, isso sobrepõe-se a qualquer calendário”, salientou.
Este ano, os exames nacionais mantiveram o formato em papel, mas, pela primeira vez, as provas serão corrigidas em formato digital, trabalho que deverá estar concluído até 10 de julho, devendo as notas da primeira fase ser divulgadas dia 14.
Fernando Alexandre admitiu ter chegado a ponderar recuar na implementação do modelo de correção digital, alargado este ano a todas as disciplinas, depois de testado, no ano passado, com a prova de Filosofia.
Aos deputados, Fernando Alexandre defendeu o modelo de classificação digital, argumentando que permitirá tornar o processo mais eficiente, uma vez que “no lugar de corrigir 40 exames iguais, cada professor vai corrigir 200 vezes a mesma pergunta” de exames diferentes.
“E esse é um ponto muito importante, porque quando nós temos um professor a corrigir apenas uma parte do exame, reduzimos o viés que a correção individual introduz e, por isso, vamos garantir mais rigor, mais objetividade na avaliação e este é mais um avanço do sistema”, salientou.
Os exames do ensino secundário são um requisito de acesso ao Ensino Superior, cujo Concurso Nacional arranca no dia 20 de julho.
Sindicatos e movimentos de professores, bem como alguns deputados esta manhã têm descrito um cenário de “caos generalizado”, com atrasos, falhas na atribuição de classificadores e professores convocados para corrigir provas de disciplinas que não lecionam. Grande parte dos constrangimentos tem sido registada na prova de Português, a que reúne o maior número de alunos. Face aos problemas, o prazo para a correção deste exame foi alargado até 10 de julho.
Segundo referiu o ministro, a esmagadora maioria das situações relatadas acabou por não se confirmar, após averiguação do EduQA.
Esta manhã também, Fernando Alexandre revelou que no próximo ano será implementado um projeto-piloto de normalização das notas, com o objetivo de corrigir diferenças de dificuldade entre anos, tornando comparáveis os resultados e reduzindo o efeito de variações na dificuldade das provas.
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