Taiwan detém dois funcionários da Super Micro por exportações de servidores para a China
A justiça de Taiwan deteve dois funcionários locais da empresa norte-americana Super Micro, no âmbito de uma investigação sobre a alegada exportação ilegal para a China de servidores avançados de inteligência artificial equipados com chips da Nvidia.
Numa carta aberta dirigida a clientes e parceiros a partir da sede da empresa, em San José, Califórnia, a Super Micro confirmou na quarta-feira que as autoridades taiwanesas interrogaram quatro dos seus funcionários na ilha no âmbito da investigação.
Segundo a empresa, dois trabalhadores ficaram detidos e os outros dois foram libertados mediante caução.
“Temos tolerância zero para qualquer pessoa que viole a lei ou as nossas políticas internas e os quatro funcionários foram imediatamente suspensos de funções até à conclusão da investigação em Taiwan”, afirmou o diretor da empresa Matt Thauberger, acrescentando que a Super Micro “não é alvo” deste processo.
O responsável indicou ainda que a empresa tem vindo a colaborar com as autoridades taiwanesas há vários meses, fornecendo informação para apoiar a investigação, e esclareceu que os escritórios da Super Micro em Taiwan não foram alvo de buscas.
A empresa reafirmou igualmente o compromisso de “proteger os interesses dos Estados Unidos” e de salvaguardar as suas “tecnologias avançadas”, assegurando que a investigação “não afeta de forma alguma” a atividade do grupo.
As ações da Super Micro, cotadas no Nasdaq, encerraram a sessão de quarta-feira com uma queda de 5,73%.
Num comunicado separado dirigido à Bolsa de Taipé, a distribuidora local da Super Micro, Albatron, anunciou que um dos seus altos dirigentes foi detido no âmbito da mesma investigação e que nomeou um substituto interino.
As detenções ocorreram depois de o ministério Público da área de Keelung, no nordeste de Taiwan, ter ordenado, na segunda-feira, buscas em cerca de uma dúzia de locais, incluindo as sedes da Super Micro, da Albatron e da Chief Telecom.
Num comunicado divulgado em 21 de maio, os procuradores afirmaram que os primeiros três suspeitos do caso tinham plena consciência de que os servidores estavam sujeitos a rigorosos controlos à exportação e que a sua venda para a China, Hong Kong e Macau estava totalmente proibida.
A investigação em Taiwan começou dois meses depois de a justiça norte-americana ter acusado três pessoas, entre elas o cofundador da Super Micro, Yih-Shyan “Wally” Liaw, de alegadamente violarem as leis norte-americanas de controlo das exportações.
Segundo a acusação apresentada nos Estados Unidos, os suspeitos conspiraram para enviar para clientes na China servidores no valor de milhares de milhões de dólares, equipados com tecnologia sensível, incluindo unidades de processamento gráfico (GPU), sem as licenças exigidas.
De acordo com fontes citadas pela agência Bloomberg, as autoridades taiwanesas apreenderam cerca de 50 servidores antes de estes saírem da ilha.
Contudo, um carregamento anterior terá conseguido sair de Taiwan, seguindo primeiro para o Japão e depois para Hong Kong, um ponto de trânsito frequentemente utilizado para equipamento posteriormente reexportado para a China continental.
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