TAP vai receber 24 novos aviões nos próximos dois anos
Foi um longo caminho para aqui chegar. E 3,2 mil milhões de euros dos contribuintes para colocar a TAP novamente a voar, depois da grave crise criada pela pandemia da covid-19.
O plano de reestruturação da TAP ficou concluído esta semana, confirmou a Comissão Europeia,
Isto significa que chegou ao fim o limite imposto à TAPpor Bruxelas de ter um máximo de 99 aviões na sua frota operacional.
A companhia já tem carta branca para expandir a sua frota e aumentar a sua capacidade. E é exatamente isso que pretende fazer.
O plano já está delineado: um total de 24 novos aviões até 2028. Só para este ano são esperados mais 10 novos aviões. A TAP aumenta assim a sua frota em 25% no espaço de dois anos.
Estas entregas deviam ter ocorrido mais cedo, mas foram adiadas devido à pandemia da covid-19 e a consequente limitação á frota operacional imposta por Bruxelas.
A companhia portuguesa fica com mais poder de fogo num momento em que decorre o processo de privatização. O novo acionista vai chegar com o trabalho de casa feito: companhia saneada financeiramente e com novos aviões para ganhar mais dinheiro.
Pelo caminho, será de esperar que alguns aviões mais antigos sejam retirados de circulação. Questionada pelo JE, a TAP não respondeu às perguntas colocadas sobre este tema.
Até 2028, está prevista a entrega de 22 aeronaves A320neo Family, mais duas aeronaves A330neo. Custo: 511 milhões de euros pagos pela empresa à Airbus até agora.
Para este ano, dentro do bolo de 24 aviões, a companhia aérea espera receber mais seis modelos A320neo até ao final do ano (capacidade para 174 passageiros, alcance de 6.500 km), com mais dois A321neo (216 passageiros e 6 mil km) no terceiro trimestre e mais dois A330neo (298 passageiros e 12 mil km) na reta final do ano.
Mas há mais compras na calha, incluindo 83 reatores, ou motores, LEAP-A1 para equiparem a nova frota de aviões A320neo Family. Os motores são produzidos pela CFM International, da americana GE Aerospace e da francesa Safran Aircraft Engines.
O processo de reestruturação ficou concluído após as alienações da Cateringpor e da SPdH e com a devolução de 25 milhões de euros ao Estado.
A companhia fica agora completamente preparada para a próxima fase do processo de privatização: as propostas vinculativas para 44,5% da empresa vão ter de ser entregues até ao fim de julho. Air France-KLM e Lufthansa vão ver as suas propostas avaliadas durante o mês de agosto. A escolha final só será decidida pelo Governo, previsivelmente, em setembro. “O Estado Português recebeu (…) a confirmação da Comissão Europeia de que o Plano de Reestruturação da TAP se encontra concluído com sucesso” disse o ministério das Infraestruturas na terça-feira. “O Plano permitiu à TAP tornar-se numa empresa mais robusta financeiramente”.
“O Governo português e a TAP estiveram fortemente empenhados na conclusão bem sucedida deste processo, em estreita cooperação com a Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia”, segundo o comunicado. “A conclusão formal deste processo reforça também a credibilidade do Estado Português junto das instituições europeias e demonstra capacidade de execução num processo”.
“A finalização do processo de reestruturação permite à TAP encarar o futuro com mais confiança, reforçando o seu papel como ativo estratégico do país e o posicionamento de Portugal como plataforma internacional de aviação”, de acordo com o ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz.
A companhia aérea anunciou várias novas rotas este ano: Orlando nos EUA, onde passa a contar com 11 destinos; Curitiba e São Luiz no Brasil, num total de 15 destinos; Atenas na Grécia, Santa Maria nos Açores e Telavive em Israel, se a situação geopolítica o permitir. E novas rotas a partir do Porto para a Terceira nos Açores, Praia em Cabo Verde, Telavive em Israel e Boston nos EUA.
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