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LEMBRA-SE DE… O dia em que o Super-Homem aterrou no pódio do Mónaco…

LEMBRA-SE DE… O dia em que o Super-Homem aterrou no pódio do Mónaco…

O asfalto do Monte Carlo mudou pouco em duas décadas. Os iates continuam a apinhar-se na marina, o glamour mantém-se intocável e o eco dos motores ainda ricocheta nas barreiras de metal. Mas hoje, a vinte anos de distância daquele final de maio de 2006, a Fórmula 1 recorda um dos episódios mais surreais e marcantes da sua história mediática contemporânea: o dia em que a Red Bull Racing, uma jovem e irreverente equipa que muitos viam apenas como uma marca de bebidas energéticas, conquistou o primeiro pódio da sua existência.
A estratégia e a capa vermelhaNo Grande Prémio do Mónaco de Fórmula 1 de 2006, os monolugares de Milton Keynes ostentavam uma decoração especial dedicada ao filme “Superman Returns”. Ao volante do Red Bull RB2 — uma versão já modificada pelo genial projetista Adrian Newey —, David Coulthard, um verdadeiro especialista do exigente traçado citadino, desenhou uma exibição magistral.O escocês apostou numa estratégia conservadora de apenas uma paragem, à 29ª volta, enchendo o depósito para completar as 49 voltas que faltavam. A tática jogou a seu favor, sobretudo após a entrada do Safety Car, que penalizou quem planeava dois reabastecimentos.
Beneficiando também de diversos abandonos na frente, Coulthard cruzou a meta num histórico terceiro lugar. No entanto, a equipa perdeu Christian Klien devido a abandono quando o austríaco rodava mesmo à frente do escocês, comprometendo uma pontuação dupla que seria histórica.O ponto alto do fim de semana aconteceu na cerimónia protocolar. Christian Horner, o jovem Diretor de Equipa, tinha prometido antes da corrida que se atiraria à piscina da ‘hospitality’ caso chegassem ao pódio. “Prometi que me atirava nu para a piscina e vou cumprir, mas com uma capa”, afirmou Christian Horner, momentos antes de saltar para a água vestindo apenas o adereço do super-herói.
O legado do herói improvisadoNo pódio, junto da família real monegasca, Coulthard exibiu orgulhosamente a famosa capa vermelha. Contudo, o impacto promocional não foi perfeito. “Não usei o fato completo do Super-Homem porque o que me entregaram estava demasiado apertado”, confessou David Coulthard, justificando o facto de ter recebido o troféu com o seu fato de competição habitual.
Este resultado quebrou um ciclo muito negativo nas primeiras seis provas do ano e validou o potencial de desenvolvimento da equipa. A longo prazo, provou que a estrutura de Dietrich Mateschitz não estava na Fórmula 1 apenas para dar festas, mas sim para vencer. Duas décadas depois, as asas que a Red Bull ganhou no Mónaco continuam a levá-la ao topo do automobilismo mundial. Estes momentos, são como olhar para uma fotografia antiga e mal reconhecer o cenário: o tempo reescreveu a paisagem de tal forma que o passado parece agora uma dimensão quase paralela.
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