Consumo mundial de azeite quase duplicou desde 1990 e procura cresce em novos mercados
O consumo mundial de azeite quase duplicou nas últimas três décadas, impulsionado pela crescente procura em mercados fora da região mediterrânica. A conclusão foi apresentada no segundo dia do Olive Oil World Congress (OOWC), que reuniu especialistas internacionais para analisar a evolução do consumo e da produção mundial deste produto.
Durante a sessão, o diretor executivo-adjunto do Conselho Oleícola Internacional (COI), Abderraouf Laajimi, revelou que o consumo global de azeite atingiu 3,2 milhões de toneladas na campanha 2024/25, representando praticamente o dobro do registado em 1990. No mesmo período, a produção aumentou mais de 130%, enquanto a comercialização manteve uma trajetória de crescimento sustentado.
Segundo o responsável, o azeite deixou de ser um produto essencialmente associado aos países mediterrânicos para se afirmar como uma commodity global de elevado valor, acompanhando a crescente valorização da alimentação saudável em diversos mercados.
Apesar de a Europa continuar a representar cerca de 60% do consumo mundial, a sua quota tem vindo a diminuir de forma gradual. Em contrapartida, os Estados Unidos consolidaram-se como o maior importador mundial de azeite, com compras anuais entre 380 mil e 400 mil toneladas, o equivalente a cerca de 35% das importações globais. O crescimento do mercado norte-americano é atribuído ao posicionamento do azeite como um produto premium associado a hábitos alimentares saudáveis.
O Brasil surge como o segundo maior importador mundial, absorvendo aproximadamente 80 mil toneladas por ano e representando 8% das importações globais. No entanto, o mercado brasileiro continua fortemente dependente do exterior, uma vez que 99% do azeite consumido no país é importado, tornando-o particularmente vulnerável às oscilações dos preços internacionais.
A região da Ásia-Pacífico é apontada como o principal motor de crescimento futuro do setor. China, Japão, Coreia do Sul e Índia foram responsáveis, em conjunto, por cerca de 22% do aumento da procura mundial nas últimas duas décadas. Embora o consumo por habitante continue relativamente baixo, o crescimento da população e o aumento das classes médias conferem a estes mercados um elevado potencial de expansão.
As previsões apresentadas no congresso apontam para um crescimento anual de cerca de 0,6% em volume na região asiática, sendo esperado um aumento ainda mais significativo em valor, sustentado pela crescente procura por azeites de qualidade superior e pela premiumização do mercado.
Além da evolução da procura, o segundo dia do Olive Oil World Congress abordou também a transformação da estrutura produtiva do setor, marcada por uma crescente concentração da produção em operadores industriais de maior dimensão, capazes de competir em escala e responder à procura dos mercados internacionais.
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