África deve ir além de exportar matérias-primas, diz Daniel Chapo
Daniel Chapo, Presidente de Moçambique, disse esta sexta-feira, na Tanzânia, que é altura de África deixar de limitar-se a exportar matérias-primas e começar a industrializar as suas economias, apostando na inteligência artificial, ciência, economia digital e capacitação de recursos humanos.
“O século XXI será determinado pela capacidade de África transformar o seu enorme potencial em riqueza para os seus povos. O continente já não pode limitar-se a exportar matérias-primas e importar produtos acabados das próprias matérias-primas que saem de África”, disse o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, na cerimónia oficial da 50.ª Feira Internacional de Dar es Salam (Saba Saba), onde se encontra a convite da Presidente daquele país, Samia Suluhu.
Chapo disse que o continente precisa de apostar na industrialização das suas economias, agregando valor aos recursos de que dispõe, além de investir na ciência, inovação, economia digital, na inteligência artificial, na qualificação dos recursos humanos, principalmente dos jovens e das mulheres.
O Presidente lembrou relações históricas entre Moçambique e a Tanzânia, pedindo que os portos, corredores de desenvolvimento, zonas económicas especiais e redes de transportes aproximem mercados, reduzam custos logísticos, aumentem a produtividade e consolidem África como ator relevante nas cadeias globais de valor.
“Nessa perspetiva, os portos de Dar es Salam, Pemba, Nacala e Beira não devem ser vistos como infraestruturas concorrentes, mas como uma rede logística complementar de dois países irmãos, capazes de aproximar mercados, reduzir custos de transportes, fortalecer as cadeias regionais de abastecimento e afirmar a África Oriental e Austral como plataforma competitiva no comércio internacional”, declarou.
O chefe do Estado moçambicano disse que, tal como há mais de cinquenta anos, com as gerações a lutarem pela liberdade, é altura de se avançar com a conquista da independência económica do continente, criando mecanismos para oferecer oportunidades às populações, especialmente aos jovens e mulheres.
“Temos dito que as nossas fronteiras em África são artificiais, por isso temos que mantê-las, sim, politicamente, administrativamente, mas em termos económicos e comerciais temos que ver o nosso mercado africano como integrado, porque somos todos irmãos”, apelou.
Relativamente à cooperação bilateral, afirmou que os dois países vivem uma das fases mais promissoras, elogiando a confiança do setor privado em investir nos dois países.
Daniel Chapo convidou o setor privado da Tanzânia a participar, em agosto, da Feira Internacional de Maputo (Facim), a maior feira de negócios que expõe as potencialidades económicas de Moçambique e as oportunidades de negócios e de investimentos, contando igualmente com outras atividades, entre as quais seminários, sessões de promoção e bolsas de contacto.
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