IPO de 15% da Unitel arranca em 6 de julho
A Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) da operadora angolana Unitel, cuja privatização de 15% do capital social está inscrita no Programa de Privatizações (PROPRIV), tem início no dia 6 de julho e decorre até ao dia 24 de julho. Depois do Banco de Fomento Angola (BFA), chegou a vez daquela que será mais uma operação bolsista histórica no país – e, também, no continente africano.
O prospeto da oferta foi divulgado esta sexta-feira pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC), que havia aprovado o registo da Oferta Pública de Venda (OPV) de ações da empresa de telecomunicações no dia 1 de julho, depois de uma “falsa partida” com a entrada em circulação de um prospeto não autorizado pelo regulador.
O oferente, ou seja, o IGAPE, deverá arrecadar à volta de 280 milhões de euros (294 mil milhões de kwanzas) com a alienação. “Pela sua dimensão, será, à data da sua realização, a maior Oferta Pública Inicial de África em 2026”, refere ao JE o Presidente do Conselho de Administração do IGAPE, Álvaro Fernão, acrescentando que, “no mercado nacional, será igualmente o maior IPO realizada na BODIVA”.
A oferta diz respeito a 7.500.000 ações escriturais e nominativas, com o valor nominal unitário de 5.000 kwanzas, detidas pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) em representação do Estado angolano.
Quanto à admissão da totalidade das ações à bolsa, está previsto que ocorra no dia 29 de julho, passando a Unitel a ser uma sociedade com capital aberto ao investimento do público.
Ainda segundo Álvaro Fernão, o IPO da Unitel “representa um dos momentos mais relevantes” do PROPRIV e um “marco para o desenvolvimento do mercado de capitais em Angola, considerando a magnitude da operação”.
De acordo com o prospeto, a oferta está dividida em duas tranches: um milhão de ações, representativas de 2% do capital social e direitos de voto do emitente, que são reservadas para aquisição por trabalhadores da Unitel SPM e da Unicanda, e 6,5 milhões de ações, representativas de 13% do capital social e direitos de voto do emitente, dirigidas ao público em geral, às quais acrescerão as ações não colocadas junto dos trabalhadores.
O intervalo do preço das ações objeto da oferta situa-se, tanto para o público em geral como para trabalhadores, entre o valor mínimo de 36.036,00 kwanzas e o máximo de 40.040,00 kwanzas. Se a colocação for feita ao preço mais alto, o valor bruto da oferta ascende a 300, 3 mil milhões de kwanzas.
A fixação do preço final da oferta dirigida ao público deverá acontecer no dia 27 de julho.
Num cenário de procura acima da quantidade de ações objeto da oferta disponível, segue-se um rateio das ações objeto da oferta a cada ordem de compra, respeitando um “critério de rateio” inovador.
“Entre as principais inovações da operação destaca-se a adoção do modelo de rateio “Capped Waterfall”, que permitirá uma distribuição mais equilibrada das ações remanescentes. O mecanismo prevê a atribuição por rondas sucessivas, com base em níveis acumulados de ações por ordem de subscrição, promovendo uma maior dispersão do capital e um acesso mais equitativo entre os investidores”, explica o PCA do IGAPE.
O BFA Capital Markets e a Áurea – Sociedade Distribuidora de Valores Mobiliários serão os agentes de intermediação responsáveis pela assistência ao emitente e oferente na colocação da oferta. O Banco Caixa Geral Angola tem o mandato de agente de intermediação responsável pela prestação dos serviços de assistência. A Distribuidora Valor – SDVM, (SU), a Eaglestone – SDVM, a Hemera Capital Partners Securities – SDVM, a Standard Invest – SDVM são as entidades responsáveis pela prestação dos serviços de colocação das ações objeto da oferta.
De acordo com o prospeto, está prevista uma sessão especial de bolsa, requerida à BODIVA, no dia 27 de julho de 2026, com os resultados a serem divulgados após o seu apuramento e publicados na página oficial da bolsa.
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