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Carglass quer faturar mais de 50 milhões em 2027

Carglass quer faturar mais de 50 milhões em 2027

Se alguém dissesse que milhares de pessoas se juntariam num evento para ver técnicos a trocar vidros de automóveis, a reação provável seria de desconfiança. Mas foi o que aconteceu em Lisboa, num encontro organizado pela Carglass Portugal — com direito a competição cerrada entre 30 países — no MEO Arena. Foi no Best of Belron 2026 que 30 técnicos — um por país — disputaram o título de melhor do mundo na reparação, substituição e recalibração de vidro automóvel. O vencedor foi Sebastian Ernst, da Alemanha.
“Esta competição existe há mais de 20 anos”, diz Jorge Muñoz Cardoso, Diretor Geral da Carglass Portugal. “E o objetivo é simples: As empresas falam muito dos CEO, mas quem faz a magia acontecer são os técnicos”, realça, explicando que é essa a lógica desta prova: “dar palco a quem, trabalha fora dos holofotes.” Lisboa voltou a ser escolhida como anfitriã — pela terceira vez — num evento que reuniu entre duas a três mil pessoas, entre participantes, equipas e parceiros internacionais. “Não existe outra capital europeia com esta infraestrutura; com hotéis, restaurantes e aeroporto a poucos minutos, tudo acessível a pé”.
A realização do evento coincide com uma fase de expansão da operação nacional da Carglass. A empresa em Portugal fechou 2025 com 44 milhões de euros de faturação, mas “contamos passar os 50 milhões já no próximo ano”, avança o responsável. A empresa emprega 458 colaboradores — mais 58 do que no início do ano — e planeia alargar a rede para 90 agências. Trabalha ainda com mais de 95% das seguradoras em Portugal. “Isso exige rigor, transparência e zero tolerância à fraude”, acrescenta.
Outra aposta da empresa está nos salários: o salário base interno subiu para 1.030 euros, acima do mínimo nacional — algo que a empresa destaca como parte de uma estratégia de valorização dos técnicos. Se antes o trabalho era sobretudo manual, agora é tecnológico. Os para-brisas tornaram-se peças críticas dos sistemas ADAS — os assistentes de condução que travam automaticamente, mantêm o carro na faixa de rodagem ou ajustam a velocidade. Tudo depende de câmaras instaladas no vidro.
E quando este é substituído, essas câmaras têm de ser recalibradas com rigor absoluto. “Um desvio de um milímetro pode significar 100 metros na estrada”, alerta Cardoso. É aqui que entra uma nova geração de técnicos e uma aposta forte em formação e inovação. A Carglass desenvolveu, em parceria com a Bosch, uma tecnologia que permite fazer recalibrações fora das oficinas, em serviço móvel. Um investimento que rondou os 350 mil euros.
Portugal inovador
Inserida no grupo internacional Belron — presente em 40 países e com cerca de 28 mil colaboradores — a operação portuguesa é, em escala, modesta. Mas tem um papel estratégico. “Somos um país-laboratório”, admite José Munõz Cardoso. O risco é menor, mas a capacidade de adaptação é maior. E isso tem gerado inovação exportável. Um exemplo? A entrada no segmento dos camiões, inexistente até há poucos anos, foi feita em Portugal e fez o negócio crescer 20% e acabou replicada noutros mercados europeus.
A escala global impressiona: o grupo realiza um serviço a cada três segundos, recebe cerca de 60 mil chamadas por dia. Mas, no centro de tudo, continuam a estar as pessoas — e, cada vez mais, a diversidade. Voltando a Portugal, 15% dos técnicos já são mulheres, num setor tradicionalmente masculino. E talvez seja essa a maior mudança: perceber que, num mundo onde os carros são cada vez mais inteligentes, o verdadeiro diferencial continua a ser humano

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