Angolanos vão poder entrar em Macau sem visto prévio
Macau anunciou hoje que os angolanos vão poder entrar na região sem obter visto com antecedência, algo que, segundo a Câmara de Comércio de Angola em Macau (CCAMO), irá facilitar as viagens de negócios.
As duas jurisdições irão firmar um acordo sobre a dispensa mútua de visto, segundo uma ordem executiva, assinada pelo líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai.
A ordem, datada de 02 de julho, mas publicada hoje no Boletim Oficial de Macau, confere ao secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, “todos os poderes necessários” para celebrar o acordo com o Governo de Luanda.
O presidente da assembleia-geral da CCAMO, Pedro Lobo, disse à Lusa que a medida “pode ajudar, e muito, as relações comerciais (…), ainda para mais com o consulado a encerrar”.
Em maio, o Ministério das Relações Exteriores angolano anunciou o fecho de quatro consulados, incluindo o de Macau, algo que justificou com um excesso de pessoal nas representações externas e a insuficiência de orçamento.
O cônsul de Angola na região chinesa, Eduardo Velasco Galiano, era também o delegado angolano junto do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau).
“Há bastante tempo que as relações entre Macau e Angola que se estavam estreitar”, disse Pedro Lobo, mas a medida vem “tirar alguma instabilidade e incerteza” nas viagens de negócios.
O dirigente da CCAMO confirmou que “sempre houve problemas” nas viagens de Angola para Macau e recordou o caso de empresários angolanos que “tiveram de voltar para trás, porque não tinham visto para fazer trânsito em Hong Kong”.
Apesar das “grandes expectativas”, Lobo defendeu que a isenção de visto só terá um impacto significativo, caso sejam estabelecido voos diretos de passageiros entre Angola e Macau ou as regiões vizinhas de Hong Kong e Cantão.
Angola irá tornar-se o quarto país de língua portuguesa, a seguir a Portugal, Brasil e Cabo Verde, cujos cidadãos beneficiam de isenção de visto, a beneficiar deste regime com Macau.
A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau.
O organismo integra os membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial.
O Fórum de Macau organiza anualmente a Semana Cultural China-Países de Língua Portuguesa, cuja edição deste ano, a decorrer até 10 de julho, não conta com artistas angolanos devido a preocupações com a epidemia de Ébola.
Em 22 de junho, o secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, Danilo Henriques, indicou que a decisão se deve a instruções das autoridades sanitárias do território.
O Governo de Macau decidiu impor um período de vigilância de 21 dias a todas as pessoas provenientes dos 10 países africanos em risco por causa da epidemia de Ébola.
Entre esses países está Angola, que faz fronteira com a República Democrática do Congo, onde começou o surto, que depois evoluiu para epidemia.
Em maio de 2025, Macau e Angola assinaram um acordo para trocar informações, de forma a prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo ou à proliferação de armas de destruição maciça.
Share this content:



Publicar comentário