Dependência da Europa dos EUA “é a mais perigosa e arriscada”
O jornalista Dave Keating, norte-americano por nascimento e europeu por escolha, afirmou hoje que a dependência da Europa dos EUA é a mais perigosa e arriscada atualmente e apontou a má cobertura dos assuntos da União Europeia.
David Keating, que vive em Bruxelas, falava no seminário Connecting UE, organizado pelo Comité Económico e Social Europeu [European Economic and Social Committee (EESC)], sob o tema “Em defesa dos valores europeus: o poder da sociedade civil” [In defence of european values: The power of civil society], que decorre até terça-feira na Universidade de Sófia.
No início da sua intervenção, o analista político e autor do livro “The Owned Continent” referiu que muitos europeus desconhecem o quanto a Europa é dependente de potências estrangeiras, nomeadamente de uma em particular.
“Ao longo dos anos, a Europa tornou-se cada vez mais dependente dos EUA e da China e tem tido dificuldade em se livrar de uma dependência persistente em relação à Rússia”.
Contudo, “dessas três, apenas uma mantém tropas” no território da União Europeia e “apenas uma controla a infraestrutura económica deste continente”, prosseguiu.
Os EUA dominam a infraestrutura digital, com suas ‘big tech’ que operam nas áreas de ‘cloud computing’, redes sociais, modelos inteligência artificial (IA) e até sistemas de processamento de pagamentos.
“E apenas uma domina os nossos ecrãs de televisão […], as nossas revistas e nossas salas de cinema” e é essa dependência dos EUA constitui o tema do seu livro.
Dave Keating, que sublinhou ser um emigrante, explicou que se concentrou especificamente na dependência dos EUA “porque essa dependência é a mais perigosa e arriscada que a Europa tem hoje”.
Por exemplo, a guerra das tarifas. Ou se Donald Trump decidisse desligar o acesso às infraestruturas de ‘cloud’, isso teria um impacto económico na Europa.
Referiu ainda que a presidente da Comissão Europeia e os líderes europeus falam muito sobre o problema das dependências da Europa, mas “em termos vagos”. Contudo, é capaz de nomear duas ameaças, a Rússia e a China.
“A terceira dependência — que é de magnitude maior e mais arriscada — é aquela cujo nome não se ousa pronunciar”, apontou, aludindo aos EUA.
Dave Keating referiu ainda que os europeus “sabem mais” sobre o que se passa nos EUA e na política norte-americana do que na União Europeia.
Deu o exemplo das notícias nos media europeus, que dão notícias nacionais e dos EUA.
Se as instituições, os media “não ensinam como a UE funciona como podemos pedir” que votem nas eleições europeias, questionou Dave Keating, referindo que há uma má cobertura do que acontece na União Europeia.
*** A Lusa viajou a convite do European Economic and Social Committee ***
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