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Ministra do Ambiente foi a Paris defender autoestradas de energia

Ministra do Ambiente foi a Paris defender autoestradas de energia

A ministra do Ambiente e da Energia foi a Paris defender mais autoestradas de energia entre a Península Ibérica e o resto da Europa.
Lisboa e Madrid defendem há mais de 20 anos um reforço das interligações entre Espanha e França via Pirineus, mas o pouco interesse francês, aliado aos custos elevados, têm feito os projetos borregar.
Maria da Graça Carvalho reuniu-se com a ministra gaulesa da Energia Maud Bregeon (na foto), com a ministra espanhola Sara Aagesen e com o comissário europeu Dan Jorgensen.
O encontro tinha sido pedido por Portugal e Espanha para tentar seduzir França para o projeto. Já a Comissão Europeia serve como desbloqueadora neste processo, tentando encontrar formas de financiar o projeto.
“Viemos reafirmar o interesse no processo”, disse a ministra esta segunda-feira, adiantando que vai haver uma reunião técnica em setembro e que este “ponto estará nas agendas” nas cimeiras bilaterais, onde “será a continuação da discussão ao mais alto nível”.
No encontro desta segunda-feira em Paris, Portugal e Espanha “pediram especial atenção à Comissão Europeia” num momento de discussão do “próximo orçamento da União Europeia” para que seja dada uma “grande prioridade na área da energia no geral e em particular às redes elétricas e interligações entre França, Espanha e Portugal”.
“Tive também a oportunidade de chamar a atenção da Comissão Europeia o facto de Portugal ter feito o seu caminho: temos um lugar cimeiro de produção de energias renováveis a nível europeu”, afirmou em Paris.
“Concluímos a 10.ª interligação entre Portugal e Espanha. Atingimos a percentagem de interligação recomendada para 2030 pela Comissão Europeia, 15% com a nova interligação entre Minho e Galiza”, acrescentou.
“Estamos a responder à transição energética e à luta contra as alterações climáticas e a condições mais difíceis, porque somos uma ilha do ponto de vista de energia. É mais difícil de gerir e precisamos de muita flexibilidade, armazenamento e resiliência da rede”, segundo a ministra.
Recordou que o tema das interligações vem de 2003, tendo sido mencionado pela “primeira vez numa cimeira bilateral” pelo então primeiro-ministro Durão Barroso. Tendo havido novamente uma “grande declaração em 2015” e noutras ocasiões.
A interligação entre França e Espanha está nos 3% muito abaixo dos 15% da meta europeia. “O processo está a andar, mas ainda vai demorar. Temos gerido o nosso sistema elétrico nacional com as dificuldades de uma ilha”.
Nesse sentido, defende “financiamento especial para determinadas situações e que também tenha essa atenção em relação a Portugal”.
Questionada se o aumento da interligação com França serviria para evitar apagões, a ministra fez questão de esclarecer que o arranque do sistema “teria demorado menos tempo”. “Felizmente, tivemos duas centrais a arrancar sozinhas, conseguimos arrancar ainda antes da interligação. Se Espanha tivesse ligação mais forte com França, teria demorado menos tempo e teria ajudado Portugal ainda mais cedo. Conseguimos recuperar em 12 horas, o que para um apagão desta dimensão foi considerado uma recuperação boa”.

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