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TCR World Tour: Urrutia lidera por seis pontos, rumo a Vila Real

TCR World Tour: Urrutia lidera por seis pontos, rumo a Vila Real

A temporada do FIA TCR World Tour conta já com três rondas decorridas. O campeonato apresenta-se equilibrado, imprevisível e marcado pela chegada de um novo protagonista ao pelotão: o Geely Preface TCR. Com a ronda de Vila Real à porta, fazemos um resumo do que aconteceu até agora.
O ano de 2026 começou com várias mudanças no cenário competitivo, uma das quais, o Balance of Performance exclusivo ao World Tour. A decisão procura garantir que a competitividade entre marcas não dependa de critérios pensados para outras categorias, mas sim nas condições específicas deste campeonato. A isso somou-se uma novidade regulamentar com impacto direto na estratégia de corrida: o piloto mais rápido da Corrida 1 passa a beneficiar de um lugar extra na grelha da Corrida 2, somando-se ao já conhecido sistema de inversão dos dez primeiros classificados na qualificação. É um incentivo adicional ao ataque, mesmo quando a vitória já está fora de alcance.

No plano das equipas, a Cyan Racing, campeã em título, apostou tudo no recém-chegado Geely Preface TCR (Yann Ehrlacher, Thed Björk, Santiago Urrutia e Ma Qing Hua), com base no bem sucedido Lynk&Co, apesar de algumas adaptações óbivas, enquanto a BRC Hyundai optou por uma estrutura mais enxuta, concentrando-se em apenas dois carros oficiais confiados a Norbert Michelisz e Mikel Azcona, ao volante do Hyundai Elantra N TCR. Equipas como a SP Competition (Aurélien Comte e Jean-Karl Vernay) em CUPRA Leon VZ TCR, JSB Compétition (Julien Briché e Raphäel Fournier) em Hyundai Elantra N TCR, a Team Clairet Sport (Teddy Clairet) em Cupra,a ALM Motorsport (Jenson Brickley) em Honda Civic Type R FL5 TCR, a Trico WRT (Damiano Reduzzi) em Hyundai têm sido os pilotos a tempo inteiro esta temporada, com a lista de inscritos pontuais a ser ainda maior.
A representação lusa em Vila Real vai estar a cargo de Manuel Fernandes Jr., que competiu nos dois últimos fins de semana. Começou com a SP, mas trocou para a Vannin Motorsport, agora aos comandos do Audi RS 3 LMS TCR da equipa britânica, tendo conseguido uma pole na corrida invertida, um nono lugar final na corrida 2 de Paul Ricard e o prémio ETS atribuído ao melhor dos pilotos que competem apenas em inscrições pontuais e não os que fazem o campeonato todo.

Três formatos, três desafios distintos
Para fazer face às exigências de cada traçado, a competição delineou vários formatos de fim de semana. Em Misano, Paul Ricard e Vila Real, o campeonato adota o formato clássico de duas corridas de 60 quilómetros, precedidas por uma qualificação dividida em Q1 e Q2, na qual os doze mais rápidos da primeira sessão avançam para a segunda. Nos circuitos permanentes europeus, a Q1 tem 20 minutos e a Q2 apenas 10, mas no traçado citadino de Vila Real os tempos alargam-se para 30 e 15 minutos, respetivamente, refletindo a maior dificuldade em cronometrar voltas rápidas num circuito de rua.
Já em Valência, Inje e China, o campeonato recorre a um formato de três corridas de 30 minutos mais uma volta. Aqui, a qualificação segue o padrão europeu de 20 e 10 minutos, mas a grelha da terceira corrida ganha um critério inédito: é definida pela soma dos pontos obtidos na própria qualificação, na Corrida 1 e na Corrida 2, criando um efeito cumulativo que recompensa a consistência ao longo do fim de semana.
A temporada encerra em Macau, no icónico Circuito da Guia, palco de duas corridas de dez voltas cada. Por se tratar de outro traçado citadino especifico, a qualificação segue o horário estendido de 30 e 15 minutos, e as grelhas de partida repetem a lógica das restantes rondas de duas corridas: a primeira manga definida pela qualificação, a segunda com inversão do top 10 e o já mencionado bónus da volta mais rápida.

Vila Real recupera a joker lap
A etapa portuguesa reserva uma particularidade que faltava ao calendário desde 2022: o regresso da joker lap. Utilizando um percurso alternativo, cada piloto é obrigado a cumpri-la duas vezes por corrida, numa manobra que acrescenta cerca de dois segundos ao tempo de volta e que fica interdita nas duas primeiras voltas de cada prova. Introduzida originalmente em 2017, a joker lap tornou-se um elemento icónico das corridas em Vila Real antes de ser retirada em 2022, e a sua reintrodução em 2026 promete devolver uma camada extra de imprevisibilidade e espetáculo à prova portuguesa.
Misano, Valência e Paul Ricard: três rondas, três histórias
O arranque em Misano trouxe Mikel Azcona à conquista da primeira pole position do ano, mas foi Norbert Michelisz quem assinou a vitória na Corrida 1, liderando uma dobradinha da Hyundai que anunciava a força do construtor coreano. A Corrida 2, contudo, escreveu um dos momentos mais simbólicos da temporada: Ma Qing Hua conduziu o Geely Preface TCR à sua primeira vitória, validando de imediato o investimento da Cyan Racing no novo projeto.
Valência trouxe uma reviravolta ainda mais notável. Yann Ehrlacher garantiu a pole para a Geely, mas o fim de semana espanhol acabou por pertencer inteiramente a Santiago Urrutia. O piloto uruguaio entrou para a história do campeonato ao vencer as três corridas disputadas em solo valenciano, um hat-trick inédito que o catapultou para a liderança do mundial.
Já em Paul Ricard, Azcona voltou a mostrar-se em grande forma, conquistando a pole e vencendo a Corrida 1 depois de resistir à pressão constante de Ehrlacher. A Corrida 2 sorriu ao piloto da casa, Teddy Clairet, que geriu com inteligência a vantagem para segurar Ma Qing Hua até à bandeira de xadrez.

A luta pelo título aquece
Três rondas volvidas, a tabela classificativa reflete a intensidade vivida em pista. Santiago Urrutia ocupa o topo com 182 pontos, fruto sobretudo do triunfo absoluto em Valência, mas a vantagem sobre Mikel Azcona é mínima: apenas seis pontos separam os dois pilotos, com o espanhol da Hyundai a somar 176. Norbert Michelisz completa o pódio provisório do campeonato, com 150 pontos, mantendo viva a hipótese de disputa a três nomes pelo título mundial. Thed Bjork é quarto com 147 pontos, seguido de Ehrlacher (128), Aurelien Comte (129) e Ma Qing Hua (101).
Com este cenário em aberto, o TCR World Tour ruma agora a Portugal para as rondas 8 e 9, no Circuito Internacional de Vila Real, o palco mais quente, mais animado, onde o público faz as delícias dos pilotos que, por sua vez tentarão dar um bom espetáculo.
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