Criada a primeira associação para utentes de medicamentos genéricos
Foi constituída a primeira associação de utentes de medicamentos genéricos (UMG) em Portugal. Esta instituição tem como objetivo, a curto prazo, uma redução de 300 milhões de euros/ano nos custos dos medicamentos/ano em Portugal, colocando o SNS em linha com as melhores práticas da OCDE.
Formada no passado dia 6 de julho, esta instituição visa defender estes utentes num país em que dois em cada três pensionistas vive abaixo do limiar de pobreza e onde continuam a pagar mais por medicamentos sem benefício terapêutico adicional, principalmente por falha do sistema.
Na opinião desta associação, estes medicamentos estão sujeitos a critérios de qualidade, segurança e eficácia idênticos aos de marca, sendo que o preço não marca uma superioridade clínica.
Em comunicado a UMG afirma que considera inaceitável “continuar a existir desinformação que penaliza diretamente os mais frágeis, os idosos, os doentes crónicos, os desempregados e as famílias em situação de pobreza envergonhada”.
Os medicamentos genéricos são uma “equivalência terapêutica comprovada” que se apresenta a um preço mais baixo. “Portugal construiu um Serviço Nacional de Saúde para garantir igualdade no acesso à saúde e não pode ver essa igualdade corroída por práticas que penalizam os mais frágeis”.
Por considerar que o SNS não pode desperdiçar recursos públicos, que os pensionistas e as famílias mais vulneráveis não podem pagar mais por algo que poderiam pagar menos e pela desinformação e a judicialização não poder continuar a substituir a evidência, a UMG defende a generalização efetiva da prescrição por denominação comum internacional, assim como uma política pública ativa de promoção dos medicamentos genéricos.
O presidente da mesa da assembleia geral da UMG, o médico, Dr. António Oliveira de Andrade, afirma que “esta Associação defende estar na hora de colocar os interesses dos doentes e dos utentes, sobretudo os mais desfavorecidos, no centro das políticas do medicamento em Portugal”.
“Sempre que exista uma alternativa terapêutica igualmente segura, eficaz e de qualidade, mas mais acessível, devemos garantir que essa opção é conhecida e que está efetivamente ao alcance dos cidadãos. Temos a obrigação moral e ética de defender o direito das pessoas a cuidar da sua saúde sem que razões económicas condicionem o acesso aos tratamentos”, refere.
Os dados revelam que em Portugal estes medicamentos representam cerca de 52% do mercado farmacêutico, um valor inferior à média da OCDE. Caso este valor subisse para 75%, gerava-se uma poupança anual perto de 1000 milhões de euros, o que representaria quase mais de 300 milhões de euros por ano em poupanças para o Estado, SNS e famílias.
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