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Instabilidade internacional pressiona medicamentos genéricos em Portugal

Instabilidade internacional pressiona medicamentos genéricos em Portugal

Há 34 anos que os medicamentos genéricos começaram a ser comercializados em Portugal. Desde então o percurso destes medicamentos foi positivo, contudo ainda permanecem alguns desafios neste setor.
A EQUALMED- associação portuguesa de medicamentos pela equidade em saúde realça o trajeto favorável destas soluções, mas também sublinha os desafios persistentes que fazem com que o setor não atinja o seu potencial.
João Paulo Nascimento, presidente da EQUALMED, afirma que hoje os medicamentos genéricos são “soluções que representam uma garantia de abastecimento de medicamentos essenciais a nível nacional, bem como o acesso de todas as pessoas, independentemente da condição económica”.
Contudo, o presidente realça também os dados do Infarmed, que mostram que a quota de mercado destes medicamentos registou uma descida em abril deste ano, de 52,2% para 50,5%. Estes valores permanecem abaixo de muitas realidades europeias, onde estes medicamentos já representam mais de 80% do mercado ambulatório.
Segundo a EQUALMED para além do contexto nacional, a conjuntura internacional também agravou, de forma significativa, as pressões sobre este setor, acentuando os custos, reduzindo a previsibilidade e colocando em causa a sustentabilidade da cadeia de fabrico.
“A indústria farmacêutica tem absorvido aumentos significativos nos custos de transporte, matérias-primas, energia e logística. Perante a continuidade de conflitos no Médio Oriente, os dados indicam aumentos nos custos de transporte e de energia, com os fretes a subir mais de 40%, prémios de seguro marítimo em alguns casos acima de 1000% e preços de referência do gás natural liquefeito a registarem variações superiores a 50% na Europa e de cerca de 68,5% na Ásia”, refere João Paulo Nascimento.
Perante esta situação, a associação considera que a sustentabilidade destes medicamentos “deixou de ser apenas uma questão económica e passou a ser um problema de segurança no abastecimento”.
“A pressão sobre os custos e a dependência das cadeias globais de fornecimento podem comprometer a disponibilidade de medicamentos essenciais de carácter crítico, em que a própria União Europeia tem reforçado várias políticas nesta área”, aponta.
A associação considera ainda que a garantia da disponibilidade de medicamentos essenciais de carácter critico “constitui uma prioridade estratégica para a sustentabilidade do SNS e para a proteção da saúde pública, tornando fundamental a análise de medidas de incentivo, nomeadamente ao nível da revisão de preços, que assegurem condições adequadas à continuidade do abastecimento e do investimento nestes medicamentos”.

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