Santos Silva defende ser do interesse nacional participar numa missão internacional no Ártico
O antigo ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva considerou hoje ser “do interesse nacional participar numa missão internacional no Ártico”, vincando que a vocação atlântica nacional vai do hemisfério norte ao sul.
“É do interesse nacional participar numa missão internacional no Ártico, porque nós nunca nos podemos esquecer que somos um país europeu, certamente, mas também um país atlântico”, disse, depois de um debate no âmbito dos Encontros Lusa, que decorreram no Palacete Silva Monteiro, sede da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), no Porto.
Depois do debate, que contou com o embaixador de Portugal na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Rui Moreira, e moderação da diretora de informação da Lusa, Luísa Meireles, Augusto Santos Silva disse, precisamente sobre a região setentrional do globo, que é “preciso dizer que não” às pretensões do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Gronelândia.
“‘Não’ com firmeza e ‘não’ com clareza. Aliás, do ponto de vista legal e moral, seria uma violação gritante do Tratado do Atlântico Norte, que diz expressamente que os aliados todos se comprometem em assegurar a integridade territorial de cada um deles”, disse o também ex-presidente da Assembleia da República.
O professor universitário alertou ainda, depois de ser questionado sobre se a presença da NATO no Ártico pode ser uma forma de tentar apaziguar Trump, “que um dos maiores erros que as democracias cometeram nos anos 30 foi tentar apaziguar Hitler”.
“Não se trata de apaziguar, trata-se de reagir com firmeza. Se hoje, infelizmente, nós temos que reagir com firmeza, não só em relação ao Presidente Putin [Rússia] ou ao Presidente Xi [China], ou aos Guardas Revolucionários do Irão, mas também ao Presidente norte-americano e ao primeiro-ministro israelita, pois façam-no”, vincou.
Portugal e mais 11 países da NATO reforçaram o compromisso de assumir “maior responsabilidade” pela “segurança marítima” no Atlântico Norte, no mar Báltico e no oceano Ártico, prometendo reforçar as capacidades na próxima década.
De acordo com uma nota publicada no site do Governo da Noruega, este “compromisso conjunto”, firmado durante a cimeira da NATO, que decorreu em Ancara, inclui o Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Islândia, Países Baixos, Noruega, Portugal, Espanha, Suécia e o Reino Unido”.
Estes países reforçaram o compromisso de assumir “uma maior responsabilidade marítima na dissuasão e defesa no Atlântico Norte, no mar Báltico e no oceano Ártico”.
Augusto Santos Silva classificou ainda de “história da carochinha” a ideia de que “sem o chapéu protetor dos Estados Unidos a Europa está à mercê da Rússia e que a Rússia, no minuto seguinte, faz esse chapéu desaparecer e invade um país da União Europeia”.
Para o académico, a ideia de uma troca entre a redução do investimento em pensões e no Estado Social e um reforço da Defesa é “um ‘trade-off perigoso e impossível’”.
“Nós temos que ir por outro caminho e esse caminho é possível e é viável. Qual é esse caminho? É investir na segurança e na defesa, tirando todo o partido dos efeitos que esse investimento tem em matéria económica, tecnológica, de proteção civil e de segurança humana”, considerou.
Assim, defendeu ainda um “caminho mais gradual” no investimento em Defesa.
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