Produção renovável abastece 75,6% da eletricidade em Portugal Continental no primeiro semestre, diz APREN
As fontes renováveis garantiram 75,6% da eletricidade produzida em Portugal Continental no primeiro semestre de 2026, período durante o qual se registaram quase 29 dias completos em que a produção limpa cobriu a totalidade do consumo nacional, anunciou hoje a APREN.
De acordo com o Boletim de Eletricidade Renovável da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) relativo a junho, a geração acumulada entre 1 de janeiro e 30 de junho atingiu os 25 806 Gigawatt-hora (GWh), dos quais 19.509 GWh foram gerados por tecnologias limpas.
No total do semestre, contabilizaram-se 692 horas não consecutivas — o equivalente a cerca de 29 dias — nas quais a produção renovável foi suficiente para assegurar a totalidade do consumo de eletricidade do país. Este desempenho coloca Portugal no quarto lugar a nível europeu no que respeita à incorporação de fontes limpas na produção elétrica, apenas atrás da Noruega (97,2%), Dinamarca (94,8%) e Áustria (77,2%).
A associação setorial destaca ainda o impacto económico desta componente, indicando que as energias renováveis permitiram evitar a importação de 544 milhões de euros em gás natural e de 357 milhões de euros em eletricidade. A este valor somam-se 356 milhões de euros poupados em licenças de emissão de CO₂. Paralelamente, a Produção em Regime Especial (PRE) renovável gerou uma poupança acumulada induzida no mercado de 3.930 milhões de euros.
No mercado elétrico, o preço médio do MIBEL em Portugal fixou-se em 48,8 euros/MWh no acumulado do semestre, o que representa um decréscimo de 22,9% face ao período homólogo de 2025.
Citada no documento, a Coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN, Susana Serôdio, sublinha a “robustez estrutural das energias renováveis em Portugal”, mas avisa que, para acompanhar o crescimento, “é prioritário acelerar os investimentos na modernização das redes de transporte de eletricidade, na introdução de novas soluções de armazenamento de larga escala e na flexibilização das regras de mercado”.
O parque de geração renovável representava, no final de abril deste ano, 79,4% da potência total instalada do país. Entre dezembro de 2025 e maio de 2026, a capacidade expandiu-se em 578 Megawatts (MW), impulsionada sobretudo pelo solar fotovoltaico, que cresceu 372 MW (201 MW na componente descentralizada e 171 MW na centralizada). No período mais alargado, de 2016 a maio de 2026, a capacidade renovável instalada em Portugal Continental aumentou 9 115 MW (um crescimento de 68,0%).
Junho com eólica e solar na liderança
Analisando apenas o mês de junho, as renováveis asseguraram 71,0% da eletricidade produzida no continente (2.380 GWh de um total de 3.351 GWh). A tecnologia eólica liderou a produção nacional com 25,9%, seguida de perto pela energia solar fotovoltaica com 24,6%, num mês marcado por elevada radiação.
O consumo nacional em junho fixou-se em 4.234 GWh, obrigando a um saldo importador mensal de 1.447 GWh. Ainda assim, registaram-se 14 horas não consecutivas em que a geração renovável bastou para abastecer todo o consumo de Portugal Continental , tendo sido evitados, só neste mês, 102 milhões de euros em importações de gás natural, seis milhões em eletricidade importada e 65 milhões em licenças de emissão de CO₂.
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