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Raimundo acusa Governo de estar “com muita pressa” por ver o seu tempo a encurtar-se

Raimundo acusa Governo de estar “com muita pressa” por ver o seu tempo a encurtar-se

O secretário-geral do PCP acusou hoje o Governo de estar “com muita pressa” para executar uma agenda “ao serviço dos grupos económicos” por considerar que o seu tempo está a encurtar-se à medida que aumenta a contestação.
Em declarações à Lusa, após um encontro com a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), em Lisboa, Paulo Raimundo sustentou que o Governo está “muito apressado e com muita vontade de avançar rapidamente para destruir” o que falta.
O líder do PCP deu como exemplo dessa destruição o setor dos transportes, criticando a privatização da TAP e concessão a privados de algumas linhas ferroviárias.
Para o líder comunista, o Governo “tem um plano” que está “ao serviço dos grupos económicos” e está a tentar concretizá-lo por achar que “vai faltando tempo para tanta golpada do ponto de vista institucional” e para executar “os crimes políticos e económicos que quer concretizar”.
“Está com pressa porque está a ver que quanto mais avança a sua política, maior a contestação à sua política (…). E quanto mais avançar a contestação, mais rapidamente se encurta o espaço. E nós não sabemos o que é que vai acontecer nos próximos meses. E o Governo quer garantir rapidamente que o que pode fazer, é fazer já”, argumentou, acrescentando que a intenção dos comunistas é “travar a política” do executivo.
Raimundo considerou que o favorecimento a privados é visível também nas medidas para o arrendamento aprovadas hoje em Conselho de Ministros, afirmando que o executivo pretende “desproteger completamente milhares de pessoas que tinham as rendas protegidas com contratos de antes de 1991” e com o objetivo de acelerar a chamada “lei dos despejos”.
Questionado sobre as palavras do líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, em relação ao pedido de audição do ministro da Educação sobre a classificação dos exames, Paulo Raimundo respondeu que se há disponibilidade do governante para ser ouvido em qualquer altura, como alegou o social-democrata, a audição “pode ser agora”.
“Daqui a meia hora. É só o tempo de chegar lá abaixo para essa comissão. Quer dizer, a paciência vai-se esgotar”, afirmou.
Sobre o debate de urgência sobre exames para dia 17, anunciado hoje pelo Chega, Paulo Raimundo considerou que essa iniciativa não tira o efeito à intenção dos comunistas e argumentou que o partido de André Ventura apenas anunciou a discussão, sem a agendar formalmente.
“Se o Chega agendar hoje, de forma formal, vai ter o mesmo desfecho que teve a semana passada, quando quis agendar para o dia 15. Há um limite, há procedimentos regimentais para esse efeito”, enfatizou, acrescentando que se o Chega não souber desses limites do regimento “alguma coisa está mal”.
Esta quarta-feira, o secretário-geral do PCP desafiou o ministro da Educação a comparecer no parlamento para uma audição sobre a avaliação dos exames nacionais até ao fim da próxima semana, admitindo, caso contrário, agendar um debate de urgência.

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