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Álvaro Santos Pereira muda projecto para a nova sede do banco central

Álvaro Santos Pereira muda projecto para a nova sede do banco central

O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, revelou esta quinta-feira, na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), que, devido à alteração das circunstâncias, o Conselho de Administração do Banco de Portugal decidiu rever o projeto da nova sede da instituição, aprovado durante o mandato de Mário Centeno.
Álvaro Santos Pereira anunciou que o projeto ficará agora concentrado no edifício A1, com um custo de cerca de 165,87 milhões de euros, abaixo dos 191,99 milhões inicialmente previstos para os edifícios A2 e A3 no contrato assinado com a Fidelidade.
Segundo o governador, a decisão de alterar o contrato celebrado com a Fidelidade e de avançar apenas com o edifício A1, em vez dos dois edifícios previstos no projeto anterior, foi tomada por unanimidade pelo Conselho de Administração.
Álvaro Santos Pereira justificou a reformulação do projeto com fatores como a política de teletrabalho ou a aposta em delegações regionais. “Acreditamos que existe outra solução dentro do complexo de Entrecampos mais adequada às necessidades futuras do Banco de Portugal”, afirmou.
“Mais concretamente, o edifício principal permitirá albergar todos os nossos trabalhadores em Lisboa, com exceção dos serviços de tesouraria e do museu, que irão continuar na sede histórica. Este edifício será ainda complementado com um novo auditório para cerca de 400 pessoas”.
Na audição seguinte, o ex-governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, esclareceu que o auditório ficará instalado no edifício A3, separado do edifício A1, onde funcionará a sede do banco. Centeno criticou a opção de avançar para edifício A1 em vez dos edifícios A2 e A3 do complexo de Entrecampos, que resultará numa área global menor.
Álvaro Santos Pereira garantiu que o novo edifício, identificado como A1, terá capacidade para acolher a totalidade dos 1.433 trabalhadores que, segundo dados de outubro de 2025, exercem funções em Lisboa, mesmo num cenário mais exigente que prevê cerca de 150 gabinetes individuais para diretores, diretores-adjuntos e coordenadores. O governador insistiu que “não há dúvidas nenhumas” de que a solução tem capacidade para albergar todos os efetivos, independentemente da mobilidade regional.
Álvaro Santos Pereira sublinhou que o banco central estima que “esta nova solução irá permitir poupar entre 35 milhões e 40 milhões de euros, em comparação com a opção inicialmente acordada com o promotor do empreendimento”.
Segundo o governador, o novo edifício terá um custo de cerca de 165,87 milhões de euros e será financiado através da alienação de imóveis do Banco de Portugal. Esta operação permitirá gerar poupanças anuais de 11 milhões de euros em custos operacionais ao longo dos próximos 20 anos.
O governador confirmou que o acordo “core and shell” celebrado com a Fidelidade ascende a 165,87 milhões de euros, aos quais acresce um investimento em “fit-out” estimado entre 52 e 62 milhões de euros, abaixo dos 63 a 73 milhões previstos no projeto anterior, que contemplava dois edifícios.
Confrontado com o sinal pago durante o mandato de Mário Centeno, Álvaro Santos Pereira garantiu que as alterações decididas “não vão levar à perda do sinal que já foi pago, de cerca de 57 milhões de euros”.
Na audição seguinte, Mário Centeno explicou que “o A1 é mais pequeno do que a soma do A2 e do A3. Nos longos meses em que estudámos as opções, o Banco de Portugal não cabia no A1”.
As dúvidas em torno do projeto levaram a Inspeção-Geral das Finanças (IGF) a solicitar informações ao Banco de Portugal sobre a nova sede. Ainda assim, Álvaro Santos Pereira reiterou que, de acordo com um parecer do Banco Central Europeu (BCE), a IGF não tem poderes para auditar o banco central.
Segundo o governador Álvaro Santos Pereira, o BCE respondeu que a IGF, por depender do Ministério das Finanças, não tem competência para auditar o Banco de Portugal, ao abrigo dos Tratados da União Europeia e das regras do Eurosistema. Ainda assim, o responsável manifestou disponibilidade para prestar esclarecimentos ao Tribunal de Contas, caso tal venha a ser considerado necessário.
Governador doou mais-valias de 3.361 euros à Make-A-Wish
O governador do Banco de Portugal (BdP), Álvaro Santos Pereira, admitiu ontem, no Parlamento, ter cometido uma “imprevidência” ao adquirir ações de várias empresas após ter tomado posse. As ações em causa pertenciam às empresas Jerónimo Martins, Galp Energia, Navigator e Nestlé, tendo sido adquiridas com fundos próprios do governador.
Ouvido na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP) na sequência de um requerimento do Chega, o líder do supervisor bancário revelou que a operação gerou mais-valias de 3.361 euros, valor que foi integralmente doado à IPSS Make-A-Wish Foundation. “Foi uma imprevidência, sem dúvida, e ninguém lamenta mais essa imprevidência do que eu”, concluiu o governador, assumindo a responsabilidade e reforçando que o escrutínio público a que foi sujeito é uma “exigência” do cargo que ocupa.

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