Grândola recebe investimento suíço de 468 milhões para mudar economia
A empresa suíça de investimento e consultoria Qantara Capital vai investir 468 milhões de euros num parque logístico no concelho de Grândola. Será um dos maiores projetos logísticos e industriais privados previstos em Portugal, posicionando-se como um “novo portal de ligação para o corredor de comércio e dados Euro-Atlântico”. A autarquia vê-o como “estruturante”, para escapar ao domínio do turismo, que se afirma como a mais importante atividade na região.
O Grândola Logistics Park Euro-Atlantic (GLPEA) ocupa uma área total de 1,3 milhões de metros quadrados, com 635 mil metros quadrados de construção. O projeto prevê um terminal ferroviário de mercadorias com um parque de contentores de 23 mil metros quadrados. Serão preservados 410 mil metros quadrados de zonas verdes.
Em declarações ao Jornal Económico (JE), o presidente da Câmara Municipal de Grândola, Luís Vital Alexandre, considera este projeto “estruturante” para o concelho, porque vem “contribuir significativamente” para a diversificação económica da região.
“O setor da logística é intensivo na criação de emprego e, cada vez mais, em emprego qualificado”, afirma. “O projeto tem impactos regionais, vindo dar solidez à integração de Grândola no chamado Corredor Internacional Sul, Sines-Caia/Badajoz”, acrescenta.
Grândola é hoje uma economia vibrante por causa do turismo. O Plano Diretor Municipal, publicado em janeiro de 2025, fixa a intensidade turística concelhia efetiva máxima em 17.153 camas, incluindo a capacidade dos empreendimentos existentes, concretizados e aprovados. Mais de quatro vezes as que existiam em 2023. Nesse ano, movimentava 60 milhões de euros e representava 53,2% dos proveitos totais dos alojamentos turísticos do Alentejo Litoral, 36,2% das dormidas, 31,7% dos hóspedes e 35,2% da capacidade de alojamento.
Luís Vital Alexandre tem as “maiores expectativas” para a concretização do GLPEA e garante que a autarquia tem estado a trabalhar em “articulação permanente” com o investidor, com o objetivo de se “poder fechar” o plano de pormenor que “criará condições” para o desenvolvimento do projeto.
Obras a começar
A consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental terminou a 2 de julho.
As obras arrancarão com a emissão da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) e das licenças definitivas, decorrentes da aprovação do plano de pormenor por parte do município, referiu o promotor, a Qantara Capital.
Em fevereiro de 2023, dois anos depois de ter sido anunciado, o projeto foi considerado como de Potencial Interesse Nacional. A construção deveria ter arrancado em 2023 e o centro logístico deveria estar operacional em 2024.
Face ao projeto inicial, foram feitos ajustamentos. Menos investimento, menos construção, mais áreas verdes.
Os atrasos no arranque da construção foram justificados pelo promotor, em declarações ao Jornal de Negócios, com “fatores administrativos externos”, como o “congelamento” do plano diretor municipal e os “sucessivos ciclos eleitorais”.
O parque assegura ligação direta ao IC1 e à Linha Ferroviária do Sul, situando-se a apenas oito quilómetros da autoestrada A2. “Esta conectividade multimodal coloca o complexo a 50 quilómetros do Porto de Sines, a 64 quilómetros de Setúbal e a 100 quilómetros de Lisboa”, diz o promotor.
“O GLPEA assume-se como uma plataforma estratégica de escala ibérica que responde de forma direta à escassez de grandes espaços logísticos em Portugal, um fator crítico para a competitividade do país”, disse o CEO da Qantara Capital, Hadrien Fraissinet, esta quarta-feira, quando reapresentou o projeto.
“Ao ligarmos esta infraestrutura multimodal ao Porto de Sines e às principais redes de transporte europeias, estamos a abrir uma porta de entrada fulcral para o comércio internacional e a reforçar o posicionamento de Portugal nas cadeias de abastecimento globais”, acrescentou.
“O impacto financeiro do projeto contribuirá para fortalecer e diversificar a economia local, reduzindo a dependência do turismo e da agricultura, e gerará receitas contínuas para o município e para a região”, diz Hadrien Fraissinet.
“O parque foi dimensionado para acolher cerca de mil utilizadores diários, gerando emprego de forma gradual e prioritariamente local. A procura de mão-de-obra apoia-se num universo de 33 mil profissionais ativos num raio de 30 minutos de deslocação”, esclarece.
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