Logística, habitação e ativos ligados à digitalização lideram potencial de crescimento imobiliário, segundo Colliers
A logística, a habitação e os ativos associados à digitalização da economia, nomeadamente data centers e infraestruturas tecnológicas, são os segmentos imobiliários com maior potencial de crescimento no próximo ciclo, identifica um estudo da consultora Colliers divulgado hoje.
A logística surge impulsionada pela evolução das cadeias de abastecimento e do comércio eletrónico, enquanto a habitação é suportada por défices estruturais de oferta em vários mercados. Já os ativos ligados à economia digital destacam-se pela crescente procura de data centers.
“O próximo ciclo imobiliário será marcado por uma maior disciplina na alocação de capital, pela integração da sustentabilidade nas decisões de investimento e por uma crescente procura de ativos capazes de gerar rendimento estável num contexto económico em transformação”, afirmou Pedro Valente, diretor-geral da Colliers em Portugal.
Segundo o responsável, o “sucesso dos ativos imobiliários dependerá cada vez mais da sua capacidade de adaptação a mudanças económicas, tecnológicas, ambientais e sociais”. “Num contexto de transformação acelerada, a resiliência emerge como o principal critério para a criação de valor sustentável no imobiliário corporativo”, acrescentou.
Depois de um período de ajustamento provocado pela subida das taxas de juro e pela incerteza económica global, os investidores voltam a demonstrar maior confiança no setor. A melhoria das condições de financiamento e a estabilização dos preços estão a criar oportunidades, sobretudo em segmentos considerados resilientes.
A consultora destaca ainda uma transformação estrutural na alocação de capital: os investidores privilegiam ativos de elevada qualidade, localizações estratégicas e edifícios que cumpram requisitos de eficiência energética e sustentabilidade. “A procura por ativos ‘future-proof’ está a redefinir os critérios de investimento. A sustentabilidade deixou de ser apenas um fator de diferenciação para se tornar um elemento essencial na preservação de valor e na atração de capital”, referiu Pedro Valente.
O acesso ao financiamento mantém-e como um dos principais desafios, com os financiadores a adotarem uma postura seletiva. Esta realidade está a impulsionar operações de reposicionamento e reabilitação, sobretudo em mercados urbanos consolidados.
A Colliers alerta ainda para a crescente divergência entre ativos de elevada qualidade e imóveis obsoletos, antecipando maior pressão sobre rendas, ocupação e liquidez nos edifícios que não acompanhem as exigências ambientais e tecnológicas.
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