Idosos crescem a um ritmo cinco vezes superior ao da população ativa
Somos mais, mas à boleia da imigração. Portugal registou 11,4 milhões de habitantes em 2025, após sete anos consecutivos de crescimento, impulsionado sobretudo pela imigração.
No Dia Mundial da População, a Fundação Francisco Manuel dos Santos, através da sua base estatística Pordata, aprofunda o retrato demográfico do país: um universo de 7.346.647 pessoas em idade ativa e 2.665.777 pessoas com 65 ou mais anos, o que corresponde a um rácio de apenas 2,76 pessoas em idade ativa por cada idoso. Face a 2024, a população ativa cresceu 0,3%, contra 1,6% da população idosa. Contas feitas, os idosos estão a aumentar a um ritmo cerca de cinco vezes superior ao da população ativa.
O Alentejo já começou a perder população ativa (-0,4% face a 2024) e apresenta o pior rácio do país, com 2,38 ativos por idoso. Do lado oposto, a região Centro apresenta o menor rácio: 2,24 pessoas em idade ativa/cada idoso.
Portugal é, assim, o terceiro país mais envelhecido da União Europeia (UE), com 182 idosos por cada 100 jovens. Itália mantém-se na primeira posição, com 208 idosos por cada 100 jovens. A Irlanda é o menos envelhecido: 85 idosos para cada 100 jovens.
Entre o início de 2001 e o início de 2025, em Portugal, a proporção de crianças e jovens até aos 15 anos caiu de 16,3% para 12,6% e a proporção de idosos aumentou de 16,3% para 23%. A população em idade ativa, face ao total, passou de 67,4% para 64,5%.
A fotografia mostra um crescimento demográfico heterógeno. Desde 2015, a Península de Setúbal e a Grande Lisboa revelam a maior capacidade de atração populacional, crescendo 19,1% e 18,3%, respetivamente, no total de habitantes, impulsionadas sobretudo pela população entre os 15 e os 64 anos. No período em análise, a população em idade ativa cresceu 23% na Grande Lisboa e 21,6% na Península de Setúbal, únicas regiões onde o crescimento dos ativos acompanhou ou mesmo superou o dos idosos.
No Norte, região mais habitada do país, a população em idade ativa aumentou apenas 0,03% face a 2024 e apenas 0,7% desde 2015. Já a população idosa aumentou 31%.
Nas regiões autónomas, o cenário não é melhor. Desde 2015, nos Açores, a população em idade ativa contraiu 8,7%, registando a maior queda do país, enquanto a população idosa aumentou 26%. Na Madeira, a força de trabalho encolheu 3% desde 2015, enquanto os idosos aumentaram 31,2%.
Portugal ocupa a 9ª posição entre os países da UE na esperança média de vida à nascença: 82,5 anos. Espanha é o Estado-membro onde se vive até mais tarde: 84 anos. Seguem-se de perto a Suécia (83,8) e a Itália (83,7).
No país também há cada vez mais pessoas a viver sozinhas: cerca de 1,18 milhões, em 2025, mais 293 mil do que em 2015.
Os números de 2025 mostram 4,6 milhões de agregados familiares para 11,4 milhões de residentes, mais 11,6% do que em 2015, fruto da subida de 33% no número dos que vivem sozinhos.
O problema é particularmente sentido entre os idosos: um em cada quatro vive sozinho. Entre as mulheres com 65 ou mais anos, a proporção sobe para uma em cada três, enquanto entre os homens, a proporção é de um em cada seis.
Na população adulta entre os 18 e os 64 anos, apenas 8% das pessoas vivem sozinhas: 7% no caso das mulheres e 10% no caso dos homens.
Em Portugal, apenas 25,1% dos agregados têm crianças, menos 5,7 p.p. do que em 2015. A Eslováquia é o mais com maior percentagem de famílias com crianças (35,4%).
Longe vai o Portugal dos anos sessenta do século XX, quando em cada uma das metades da década nasceram mais de 1 milhão de bebés. Desde então, o número de nascimentos foi diminuindo em cada período de cinco anos e, desde a primeira metade da década de 2010, tem-se mantido abaixo dos 500 mil.
Os dados revelam que três em cada cinco bebés nascidos no quinquénio que termina em 2025 tinham pais não casados.
Revelam também que os nados-vivos registados no país, nos cinco anos pós-covid (2021 – 2025) foram 2,5% inferiores aos registados nos cinco anos pré-covid (2015-2019). Sem os bebés de mães estrangeiras, a quebra dos nascimentos no período pós-pandemia teria atingido os 15,1%. O peso destes nascimentos passou de 10% para 21,6% entre os períodos pré e pós-pandemia.
Península de Setúbal (8%), Oeste e Vale do Tejo (4,7%) e Algarve (0,8%) são as únicas regiões do país com aumento de nascimentos. Todas elas contaram com o contributo fundamental das mães estrangeiras, caso contrário, teria havido uma quebra dos nascimentos: -14% em Setúbal, -11% na região Oeste e Vale do Tejo e -17% no Algarve.
Fecundidade está abaixo do limiar de renovação de gerações. Em 2024, a expectativa de número de filhos por mulher, aos 15 anos, era de 1,4. O indicador mantém-se acima de 1 até aos 28 anos, mas reduz rapidamente e cai para os 0,4 a partir dos 35. Estima-se que seis em cada 10 mulheres com idades entre os 35 e os 49 anos não venham a ter mais filhos.
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