A duas semanas da entrada no euro, governo búlgaro renuncia
Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se em toda a Bulgária para exigir a renúncia do primeiro-ministro Rosen Zhelyazkov, com manifestantes acusando o governo de corrupção generalizada. Os protestos acontecem semanas antes da entrada da Bulgária na zona do euro, em 1 de janeiro e ocorrem depois d, há semanas, as ruas terem sido palco de manifestações contra a proposta do Orçamento do Estado, que foi entretanto retirada.
O primeiro-ministro Rosen Zhelyazkov renunciou esta quinta-feira, depois que dezenas de milhares de búlgaros participaram nos protestos em todo o país na noite anterior, exigindo a renúncia do governo devido a alegações de corrupção generalizada. “Ouvimos a voz dos cidadãos e devemos atender às suas reivindicações. Tanto os jovens quanto os idosos manifestaram-se a favor da renúncia. Essa posição cívica deve ser incentivada”, disse Zhelyazkov, citado pela comunicação social, ao anunciar a renúncia do seu gabinete em sessão extraordinária da Assembleia Nacional.
“No entanto, um desafio se apresenta: os protestos devem transmitir qual deve ser o perfil do governo a partir deste momento”, acrescentou. “Os cidadãos devem exigir isso aos líderes do protesto; este é um apelo por um governo que dê continuidade às conquistas dos anteriores, por meio de uma transição harmoniosa.” As estimativas apontam para que o número de manifestantes ultrapassou 100 mil, podendo ter atingido as 150 mil pessoas na capital búlgara.
Estudantes das universidades de Sófia juntaram-se aos protestos, que, segundo os organizadores, superaram os da semana passada, que reuniram mais de 50 mil pessoas. Outros protestos ocorreram em mais de 25 grandes cidades da Bulgária, incluindo Plovdiv, Varna, Veliko Tarnovo e Razgrad. Búlgaros residentes no exterior também se reuniram, com manifestações realizadas em Bruxelas, Londres, Berlim, Viena, Zurique e Nova Iorque.
As manifestações seguem os protestos da semana passada, desencadeados pelas propostas para o orçamento de 2026, que incluíam aumento de impostos, contribuições para a previdência social e aumento dos gastos públicos. Posteriormente, o governo retirou a controversa proposta.
A coligação da oposição Continuamos a Mudança – Bulgária Democrática apresentou uma moção de censura contra o governo. A votação, a sexta moção deste tipo apresentada pela oposição, estava marcada para quinta-feira, mas Zhelyazkov anunciou a sua renúncia pouco antes, afirmando acreditar que o seu gabinete teria sobrevivido.
O presidente Rumen Radev, da esquerda política – ao contrário do governo, liderado pelo partido GERB, disse nas redes sociais que as manifestações foram, na prática, um voto de “desconfiança no gabinete”. E aconselhou os deputados a “ouvirem o povo” e a “escolherem entre a dignidade do voto livre e a vergonha da dependência”.
Uma sondagem publicada em junho, encomendada pelo Ministério das Finanças da Bulgária, mostrou que 46,8% dos cidadãos se opunham à moeda única europeia, enquanto 46,5% eram a favor.
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