Hotéis norte-americanos perdem hóspedes para o Airbnb durante o Mundial
Dezenas de milhares de proprietários norte-americanos colocaram as suas casas na Airbnb e noutras plataformas de arrendamento de curta duração pela primeira vez durante atraindo adeptos que os hotéis esperavam receber em força durante o Mundial de futebol.
De acordo com o Financial Times (FT), as reservas hoteleiras ficaram aquém das expectativas à medida que adeptos atentos aos preços optam por ficar em casas particulares americanas.
Durante a fase de grupos do Mundial de futebol, foram registados mais de 52 mil alojamentos de curta duração adicionais nas cidades anfitriãs dos EUA em comparação com junho do ano passado, um aumento de 12% na oferta, segundo dados da empresa de análise AirDNA.
A expansão da oferta em plataformas como a Airbnb explica em parte por que razão os hotéis registaram uma ligeira queda na taxa de ocupação nos primeiros 17 dias do torneio, mesmo cobrando preços mais elevados, de acordo com dados da empresa de informação hoteleira CoStar.
Aran Ryan, director de estudos sectoriais da consultora Tourism Economics, afirmou que, embora os hotéis nas cidades anfitriãs tenham aumentado as tarifas em média 20% face a junho do ano passado, o desempenho global ficava aquém das expectativas, uma vez que os adeptos mais sensíveis ao preço optaram pelos alojamentos de curta duração.
A Airbnb incentivou os proprietários a colocar as suas casas na plataforma oferecendo bónus de 750 dólares para imóveis (656 euros) próximos dos principais estádios que recebessem o primeiro hóspede antes do final de julho.
Isso foi suficiente para convencer Laura Hawkins a gastar 500 dólares (438 euros) a arranjar o seu apartamento em Atlanta para o colocar na Airbnb, após a saída de um inquilino de longa data em abril. “Mesmo que ganhemos menos do que ganharíamos com um inquilino, o bónus cobriria os custos”, afirmou.
Jennifer Smith, da cidade de Dallas, que é anfitriã na Airbnb há cerca de 18 meses, disse que um dos seus imóveis gerou 78% mais receitas durante o Mundial do que no mesmo período de 2025. Atribui esse aumento às ferramentas de preços dinâmicos automatizados da Airbnb.
Os preços médios dos alojamentos de curta duração em Kansas City, cidade anfitriã de seis jogos, subiram 63% face a junho do ano passado, apesar de a oferta ter quase duplicado, segundo dados da AirDNA. Entretanto, os hotéis da cidade registaram uma queda de 8,5 pontos percentuais na taxa de ocupação, de acordo com a CoStar.
Richard Clarke, analista da emporesa Bernstein, afirmou que o Mundial “foi ainda assim significativo para os hotéis, mas através dos preços e não da ocupação”. Acrescentou que os hotéis de luxo, em particular, registaram o maior impulso, com propriedades em localizações privilegiadas a acolher delegações com “fundos praticamente ilimitados”. Priorizar as tarifas em detrimento da ocupação pode ser por vezes uma estratégia deliberada para reforçar os preços a longo prazo e optimizar os custos de pessoal, disse Ryan. Ainda assim, alguns hotéis ficaram desapontados.
Vijay Dandapani, presidente da Associação Hoteleira de Nova Iorque, disse que a sua organização previa agora um ganho líquido de receitas de cerca de 160 milhões de dólares (140 milhões de euros) para os hotéis nova-iorquinos durante o Mundial. Trata-se de cerca de metade dos 300 milhões (262 milhões de euros) previstos no início do ano com base nas projecções do organizador do torneio, a FIFA. Dandapani acredita que os adeptos reduziram as despesas em alojamento, ou optaram por não assistir ao torneio, em resposta aos preços dos bilhetes e aos custos de transporte invulgarmente elevados. “Os preços não transmitiram uma mensagem de boas-vindas”, afirmou.
O FT noticiou em abril que os hotéis tinham sido forçados a baixar as tarifas na antecâmara do torneio devido a uma procura inferior ao esperado. A prioridade da Airbnb será agora garantir que os novos anfitriões permaneçam na plataforma após o fim do torneio. Bram Gallagher, economista da AirDNA, observou que a «esmagadora maioria» das novas listagens de alojamento de curta duração estava a publicitar disponibilidade fora das datas do torneio. Ellie Mertz, directora financeira da Airbnb, disse que “o que vimos com Paris foi que, digamos, seis meses após os [Jogos Olímpicos de 2024], tínhamos retido mais de metade das listagens que tinham surgido especificamente para os Jogos”.
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