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WEC: Como assistir às corridas de endurance como um especialista

WEC: Como assistir às corridas de endurance como um especialista

A ciência da estratégia no FIA WEC desmistificada numa era dourada do desporto…
O Campeonato Mundial de Resistência da FIA (WEC) vive uma era dourada, impulsionada pela entrada de novos construtores e pela chegada de um público global. Perante uma competição cada vez mais complexa, a FIA e as equipas revelaram os bastidores científicos e a tomada de decisões estratégicas que ditam o sucesso nas pistas, onde a gestão milimétrica da energia e dos pneus se sobrepõe à velocidade pura.
O conceito de turno e a gestão rigorosa de energia por megajoulesO cerne da estratégia assenta no stint (ou turno de condução), que se define pela quantidade de voltas que um automóvel consegue cumprir antes de parar nas boxes. Esta distância é rigorosamente limitada por uma alocação máxima de energia — medida em megajoules — que combina o combustível e a eletricidade dos sistemas híbridos.Caso uma equipa ultrapasse o limite de megajoules estabelecido para cada turno, o protótipo fica sem potência. No rádio das equipas, o aviso é claro, lembrando que atingir esse limite “é como ficar sem combustível na autoestrada”.Em circuitos como Imola, um Hypercar consome a sua alocação em cerca de 36 voltas, obrigando os pilotos a gerir o consumo em situações de tráfego intenso.
O impacto regulamentar dos pneus e as diferenças na classe LMGT3A gestão de pneus constitui outro fator decisivo, uma vez que o regulamento proíbe a substituição dos quatro pneus em todas as paragens. Mudar o conjunto completo demora entre 10 a 12 segundos, o que leva as equipas a optar por trocar apenas dois pneus ou a efetuar turnos duplos para ganhar tempo na via das boxes.Esta tática foi evidente, por exemplo, no circuito de Fuji, onde a Alpine garantiu a vitória ao substituir apenas os dois pneus esquerdos, conseguindo regressar à pista na liderança e gerir o ritmo regulamentar.Na categoria LMGT3, o conceito energético mantém-se idêntico, mas os turnos são ligeiramente mais curtos. Esta diferenciação é planeada pela FIA para evitar o congestionamento simultâneo das boxes entre as duas classes. Além disso, a classe LMGT3 é fortemente condicionada pelo tempo obrigatório de condução estipulado para os pilotos das categorias Bronze, Silver e Gold.
Como as decisões da direção de corrida alteram o rumo das provasAs neutralizações de pista, geradas pela Direção de Corrida com foco exclusivo na segurança, obrigam as equipas a acionar planos de contingência (Planos A, B ou C) baseados em simulações prévias.O Full Course Yellow obriga os pilotos a reduzir a velocidade mantendo as distâncias, ao passo que o Safety Car encerra a via das boxes durante três voltas, permitindo apenas paragens de emergência limitadas para reabastecimento ou reparação de furos.Por outro lado, o Virtual Safety Car mantém as boxes abertas por duas voltas antes de evoluir para o veículo de segurança real.Nestas fases, entra em vigor o procedimento de ‘pass around’, que permite aos carros recuperar quase uma volta de desvantagem face ao líder, mitigando prejuízos desportivos causados pelo momento da neutralização.Embora as decisões sejam apoiadas em dados analíticos, o feedback do piloto em tempo real continua a ser o elemento soberano nas boxes sempre que as condições de aderência se alteram. Para ficar a conhecer tudo com muito maior pormenor, veja o vídeo.

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