Médio Oriente: com o Estreito de Ormuz fechado, ocidente prepara-se para um ‘verão quente’
O Irão anunciou o encerramento oficial do Estreito de Ormuz “até nova ordem” e lançou uma vaga de mísseis e drones contra os seus vizinhos do Golfo, provocando um aumento drástico dos incidentes na região – depois de Donald Trump ter encerrado o período de cessar-fogo no final da semana passada. Ao longo do fim-de-semana, repetiram-se as ameaças oriundas de Washington sobre a possibilidade de uma guerra que fizesse o Irão desaparecer do mapa – ao mesmo tempo que o presidente norte-americano afirmava que os iranianos telefonaram a pedir tréguas, coisa que o regime de Teerão não confirma.
É, para todos os efeitos a repetição da retórica de antes do acordo de cessar-fogo, o que leva muitos analistas a anteciparem que o mais provável é que as próximas semanas, verão dentro, sejam de combates entre as duas forças.
A Guarda da Revolução Islâmica determinou a proibição de circulação para todo o tipo de embarcações comerciais, afetando gravemente a rota. O gatilho para o bloqueio e os subsequentes bombardeamentos mútuos envolveu um ataque iraniano contra um navio comercial de bandeira cipriota. O Comando Central (Centcom) norte-americano está a atuar para tentar neutralizar a capacidade do Irão de controlar a via marítima.
O Paquistão, que assumia um papel de mediador diplomático entre Teerão e Washington, já emitiu um apelo urgente a ambas as partes para exercerem a máxima moderação e travarem a escalada.
Segundo os analistas, os preços do crude enfrentam uma forte pressão para aumentarem na abertura dos mercados esta segunda-feira, impulsionados pelo regresso dos ataques e pela revogação das isenções de exportação iranianas pelos Estados Unidos. Embora as cotações tenham registado uma ligeira estabilização na sexta-feira à noite, os analistas antecipam nova vaga de volatilidade devido à queda drástica do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
O mesmo se passará com certeza nos principais mercados mobiliários. No fecho da última semana, após os primeiros indícios de colapso do acordo, o índice Dow Jones afundou mais de 800 pontos (menos1,5%), ao mesmo tempo que, nas bolsas europeias, o índice britânico FTSE 100 registou a sua maior queda diária desde maio (menos 1,7%), arrastado pelo receio do impacto macroeconómico da guerra. Empresas de retalho, bens de consumo e transportadoras aéreas lideram as perdas devido à perspetiva de aumento galopante dos custos logísticos.
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