A carregar agora

APESP contesta exclusão do ensino superior privado de apoio de 15 milhões para residências universitárias

APESP contesta exclusão do ensino superior privado de apoio de 15 milhões para residências universitárias

A Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado (APESP) pediu a intervenção do Governo e apresentou uma queixa à Provedoria de Justiça por considerar discriminatória a exclusão das instituições de ensino superior particular, cooperativo e social de um concurso de 15 milhões de euros destinado à construção e reabilitação de residências universitárias na região Centro.
Em causa está um aviso do Programa Regional Centro 2021-2027, financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), que prevê uma dotação de 15 milhões de euros para apoiar a construção e reabilitação de alojamentos para estudantes do ensino superior, mas limita os beneficiários às entidades públicas promotoras de residências universitárias.
Em comunicado, a APESP afirma que esta opção cria “desigualdade entre estudantes”, uma vez que dois alunos com as mesmas necessidades de alojamento passam a ter oportunidades diferentes consoante frequentem uma instituição pública ou uma instituição particular, cooperativa ou social.
A associação considera contraditório que um programa cuja finalidade é promover a democratização do ensino superior impeça uma parte das instituições de apresentar projetos para criar novas residências, incluindo para estudantes bolseiros e economicamente carenciados, numa altura em que a falta de alojamento continua a ser um dos principais obstáculos ao acesso e frequência do ensino superior. O próprio aviso refere que o objetivo do concurso é promover o acesso a residências para estudantes universitários, contribuindo para a democratização do ensino superior.
Segundo a APESP, a única diferença entre dois estudantes em situação económica idêntica pode passar pela natureza jurídica da instituição que frequentam, já que apenas as instituições públicas podem candidatar-se ao financiamento para criar novas residências.
A associação recorda que situações semelhantes ocorreram nos programas Norte 2030, Alentejo 2030 e Algarve 2030, sustentando que existe uma prática reiterada de exclusão das instituições de ensino superior não públicas do acesso a determinados financiamentos europeus.
Na sequência da publicação do aviso, a APESP solicitou uma audiência ao ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, para discutir uma solução que impeça a repetição deste tipo de exclusões nos programas do Portugal 2030. A associação pediu ainda à presidente da Agência para o Desenvolvimento e Coesão, Cláudia Joaquim, uma apreciação sobre a conformidade dos critérios de elegibilidade com a legislação nacional e europeia aplicável aos fundos comunitários e informou igualmente o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.
Paralelamente, apresentou uma queixa à Provedoria de Justiça, solicitando que seja apreciada a conformidade desta prática com a Constituição, a legislação nacional aplicável aos Fundos Europeus e o Direito da União Europeia.
De acordo com o aviso, o período de candidaturas decorre entre junho e dezembro de 2026, estando dividido em três fases, e destina-se exclusivamente a entidades públicas, designadamente universidades e institutos politécnicos.
CCDR do Centro lançou aviso de 15 milhões para construção e reabilitação de residências universitárias
A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro anunciou que vai disponibilizar 15 milhões de euros, financiados pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), para apoiar a construção e reabilitação de residências destinadas a estudantes do ensino superior na região Centro.
De acordo com o resumo do aviso do Programa Regional do Centro 2021-2027, que está a ser contestado pela APESP, o concurso tem como objetivo promover o acesso a alojamento estudantil, contribuindo para a democratização do ensino superior através do reforço da oferta de residências universitárias.
O financiamento, enquadrado na prioridade dedicada à habitação acessível, dispõe de uma dotação total de 15 milhões de euros, com uma taxa máxima de cofinanciamento de 85%, destinando-se à construção e reabilitação de alojamentos para estudantes do ensino superior.
O período de candidaturas decorrerá entre junho e dezembro de 2026, estando dividido em três fases: a primeira entre junho e julho, a segunda entre agosto e setembro e a terceira entre outubro e dezembro. As candidaturas serão apresentadas na modalidade individual.
Segundo o aviso, podem beneficiar destes apoios entidades públicas promotoras de residências para o ensino superior, nomeadamente universidades e institutos politécnicos da região Centro.
A medida enquadra-se na estratégia nacional para o alojamento estudantil, estando articulada com a Lei da Requalificação e Construção de Residências para Estudantes do Ensino Superior, o Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior (PNAES) e o regime jurídico do complemento de alojamento para estudantes deslocados.

Share this content:

Publicar comentário