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Teste de stress da EBA em 2027 com foco no risco climático terá impacto limitado no capital da banca

Teste de stress da EBA em 2027 com foco no risco climático terá impacto limitado no capital da banca

A Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês) lançou uma consulta preliminar sobre o seu teste de esforço [teste de stress] a nível da União Europeia previsto para 2027, com alterações que visam simplificar os requisitos de reporte e reforçar a avaliação dos riscos relacionados com o clima, segundo uma análise da Morningstar DBRS divulgada esta segunda-feira.
Segundo o anúncio da EBA de 11 de junho, o exercício vai abranger 63 bancos da UE e da Noruega, incluindo 47 instituições da área do euro, que representam cerca de 75% dos ativos do setor bancário europeu.
A Morningstar DBRS estima que o impacto direto do teste de esforço climático sobre os rácios de capital dos bancos europeus deverá manter-se limitado numa fase inicial, mas considera que o trabalho da EBA sobre riscos de inundação e de calor extremo aponta para uma supervisão climática mais abrangente no futuro.
De acordo com a agência de notação, o quadro de testes de esforço da EBA para 2027 assenta em três prioridades: a redução significativa dos requisitos de dados, a limitação de obrigações de reporte duplicadas e a integração dos riscos climáticos.
Ao contrário de exercícios anteriores, a avaliação de 2027 vai incluir cenários que captam tanto os riscos de transição associados à mudança para uma economia com menos emissões de carbono, como os riscos físicos ligados a eventos climáticos extremos. O exercício será conduzido em conjunto pela EBA, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelas autoridades de supervisão nacionais, ao longo de um horizonte de três anos, entre 2027 e 2029.
Atual ciclo de testes de esforço climáticos está centrado no risco de inundação
O atual ciclo de testes de esforço climáticos está centrado no risco de inundação, identificado como o maior risco de catástrofe natural na Europa. Segundo dados da Agência Europeia do Ambiente citados no relatório, os riscos hidrológicos, nomeadamente as inundações, foram responsáveis por 47% de todas as perdas económicas relacionadas com fenómenos meteorológicos e climáticos na UE entre 1980 e 2024, à frente das tempestades (cerca de 27%) e das ondas de calor (quase 18%).
Ainda assim, o risco associado ao calor extremo está a ganhar peso na agenda dos supervisores. Segundo a DBRS, que cita declarações atribuídas a um porta-voz da EBA à Bloomberg, o regulador está a desenvolver novas metodologias para medir o impacto financeiro de eventos de calor extremo sobre os bancos, procurando quantificar os seus efeitos sobre a produtividade laboral, a procura de energia, a produção agrícola e o desempenho das empresas.
A DBRS nota que a avaliação do risco de inundação é atualmente mais fácil de quantificar do que a do calor extremo, devido à disponibilidade de mapas de perigo e de dados de geolocalização para os ativos físicos, uma vez que os impactos do calor tendem a ser indiretos e mais difíceis de modelizar.
“Achamos que o trabalho da EBA sobre os riscos de inundação ou de calor extremo assinala uma mudança mais ampla”, afirmou Vitaline Yeterian, vice-presidente sénior e responsável de setor para as notações de instituições financeiras europeias na Morningstar DBRS.
Segundo a agência, à medida que as metodologias amadurecem e a disponibilidade de dados melhora, a testagem de esforço climático deverá tornar-se um fator cada vez mais relevante nas expectativas de supervisão, nas decisões de alocação de capital e na gestão de risco em todo o setor bancário europeu.
A Morningstar DBRS considera ainda que os bancos europeus com exposições concentradas a setores ou regiões mais sensíveis ao clima poderão enfrentar um escrutínio reforçado quanto à resiliência das suas carteiras e às respetivas práticas de gestão de risco.

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