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Trump abandona ideia de portagem no estreito de Ormuz

Trump abandona ideia de portagem no estreito de Ormuz

O presidente norte-americano abandonou hoje a ideia de criar uma portagem no estreito de Ormuz que iria cobrar 20% do valor de cada carga.
Donald Trump disse que teve “conversações altamente produtivas” com os países do Médio Oriente e que decidiu substituir esta portagem com acordos de investimento e comércio com os países do Golfo Pérsico, que irão investir nos EUA, segundo a “CNBC”.
O petróleo aliviou os ganhos e segue agora a subir menos de 1% para quase 84 dólares.
Na segunda-feira choveram as críticas à intenção do presidente norte-americano.
“Uma taxa de 20% sobre o petróleo transportado pelo estreito de Ormuz” equivale a “um custo adicional de 15 dólares por barril”, estimou Ian Bremmer da Euroasia Group, consultora especializada em risco geopolítico.
Se o bloqueio naval avançar, “é quase certo que o Irão vai fechar o estreito ao trânsito não-iraniano”, alertando que a ação dos Houthis do Iémen no Mar Vermelho também poderá ser um problema.
As Nações Unidas também criticaram a intenção: “Somos firmemente contra a cobrança de qualquer taxa pela passagem em estreitos usados para a navegação internacional. Não existe base legal”, segundo a agência IMO da ONU, dedicada ao setor marítimo.
Os analistas do Citi consideram que aumentaram as probabilidades de o Irão atirar um acordo com os EUA para depois das eleições intercalares em novembro, com os preços do petróleo a ficarem mais caros durante mais tempo.
Um quinto do petróleo global passava no estreito de Ormuz antes da guerra, mas o regime iraniano bloqueou o trânsito marítimo após o início dos ataques dos EUA/Israel.
“Bem-vindos à era em que o presidente dos EUA tenta impor portagens em navios a passar no estreito de Ormuz”, reagiu o especialista em energia Francesco Sassi.
“Esta mensagem do presidente Trump é a melhor lembrança de que os mercados de energia nunca vão regressar aos seus níveis pré-guerra, à medida que Washington tenta agir como um mercenário guardando o estreito enquanto extrai concessões financeiras dos países do Golfo”, de acordo com o professor da Universidade de Oslo, recordando que os EUA chegaram a ser uma “nação que salvaguardava a liberdade de negócio e de navegação a nível global”, mas que agora quer “extorsionar taxas”.

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