“Celebrar o Extraordinário” é o mote do 50º aniversário da CNB
Novas criações, obras do repertório clássico e contemporâneo e um reforço da circulação nacional e internacional. É o que consta do cardápio da nova temporada 2026-2027 da Companhia Nacional de Bailado (CNB), segundo a direção da companhia fundada em dezembro de 1977. Não menos importante é o mote escolhido para a temporada que também assinala o início das comemorações dos 50 anos de CNB.
Fernando Pessoa e o “Livro do Desassossego” marcam presença no ciclo “Nova Criação”, que conta com a estreia absoluta de duas novas criações de Daniel Cardoso e Marcelino Sambé. Inspiradas na obra de Pessoa, propõem-se explorar, através da dança, temas como a inquietação, a imaginação e a liberdade, inaugurando um novo ciclo de criação da companhia, intitulado Desassossego, precisamente, e que estará em cartaz de 22 de outubro a 1 de novembro.
Um dos momentos centrais das comemorações do cinquentenário surge com “A Extraordinária Companhia – 50 anos de futuro”, a nova criação do diretor da CNB, o coreógrafo Fernando Duarte, com música original de Edward Ayres d’Abreu, concebida especialmente para assinalar cinco décadas da companhia. Tem estreia absoluta marcada para 29 de abril de 2027, Dia Mundial da Dança, refere o texto da temporada.
Uma proposta que será apresentada até maio, acompanhada pela Orquestra de Câmara Portuguesa, sob direção de Pedro Carneiro. O objetivo é propor uma reflexão sobre a história da CNB que vá além da revisitação de cinco décadas de atividade. A tónica será, antes, imaginar “aquilo que a Companhia poderá continuar a ser nas próximas décadas”, segundo o texto da direção.
No ciclo “Grandes Clássicos”, destaque para o regresso de A Bela Adormecida com uma nova cenografia, figurinos e desenho de luz, cerca de três décadas depois da sua estreia na CNB. A principal razão deste regresso deve-se, citando a carta do diretor artístico, à intemporalidade da partitura de Tchaikovski, agora com “uma renovada dimensão visual”, que reafirma “a vitalidade do grande repertório clássico e a sua permanente capacidade de encantamento junto de todos os públicos.”
Em dezembro deste ano, a pensar na época natalícia, o Teatro Camões volta a receber A Bela Adormecida, na versão coreográfica de Ted Brandsen sobre música de Piotr I. Tchaikovski, interpretada pela CNB com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, dirigida por Antonio Pirolli.
Entre fevereiro e março de 2027, a Companhia apresentará pela primeira vez em Portugal Carmina Burana, criação do coreógrafo Edward Clug sobre a partitura de Carl Orff, numa produção que junta a CNB, a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro Lisboa Cantat, dirigidos por Pablo Urbina.
Para junho está prevista a estreia absoluta de Pedro e o Lobo, criação de Andreas Heise para a infância, inspirada na célebre composição de Sergei Prokofiev, interpretada pela Jovem Orquestra Portuguesa, dirigida por Jorge Leiria. O objetivo desta nova produção, sublinha a direção, é reforçar a aposta da CNB na formação de novos públicos, dirigindo-se a crianças, famílias e escolas e integrando a educação artística “como uma das vertentes da missão da companhia.”
A temporada termina, entre junho e julho, com “Lightness and Darkness”, programa que reúne Les Sylphides, de Michel Fokine, e The Look, da coreógrafa israelita Sharon Eyal, colocando em diálogo um dos marcos da história do bailado clássico com uma voz da criação coreográfica contemporânea.
Na apresentação da temporada 2026-2027, Fernando Duarte diz que a mesma “marca a entrada no ano simbólico do cinquentenário” da CNB, abrindo “um ciclo de evocação, reinvenção e projeção de cinquenta anos de criação artística.” Mais afirma que esta temporada pretende ser “um território onde os ecos do passado ressoam com renovada vitalidade, projetando-se num futuro que se quer aberto, plural e surpreendente”. No fundo, colocando em diálogo tradição clássica, repertório contemporâneo e novas encomendas coreográficas.
Com esta programação, o diretor artístico sublinha o objetivo de “garantir que, cinquenta anos depois da sua fundação, [a companhia] continua a ser um espaço de criação, pensamento e encontro.”
Ambição refletida, também, na circulação nacional e internacional. “Os Maias”, com coreografia de Fernando Duarte e curadoria musical de Andrea Lupi, está integrada na programação de setembro de Ponta Delgada – Capital Portuguesa da Cultura 2026. Segue depois para Madrid, onde será apresentada no Centro de Danza Matadero, em abril de 2027, e novamente em Portugal, em Almada, no mês de julho.
O programa “Only Duos”, que reúne coreografias de Michel Fokine, Filipe Portugal, Wubkje Kuindersma, Joseph Toonga, Miguel Ramalho e Angelin Preljocaj, irá percorrer vários teatros nacionais, com apresentações em Ourém, Tavira, Leiria e Torres Novas, entre outubro deste ano e janeiro de 2027.
A nova peça “A Extraordinária Companhia – 50 anos de futuro” prosseguirá igualmente em circulação nacional, com apresentações em Faro, em julho do próximo ano, acompanhada pela Orquestra do Algarve.
O Programa de Aproximação à Dança, atividade de mediação através de conversas, oficinas, projetos educativos, sessões do Clube de Leituras Dançadas, iniciativas nas escolas e Ensaios Gerais Solidários, vai prosseguir em paralelo à programação artística. O objetivo da Companhia mantém-se: “promover o contacto entre artistas, comunidades e novos públicos.”
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