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Bancos dos EUA fecham primeiro semestre com resultados robustos: Trading e banca de investimento impulsionam lucros

Bancos dos EUA fecham primeiro semestre com resultados robustos: Trading e banca de investimento impulsionam lucros

Os grandes bancos norte-americanos apresentaram, no segundo trimestre, resultados que confirmam a força do setor financeiro nos primeiros seis meses de 2026. Com uma recuperação sustentada nos mercados de capitais, aumento da volatilidade global e forte atividade em fusões, aquisições e ofertas públicas iniciais (IPO), os principais players superaram largamente as expectativas de Wall Street.
Hoje, os grandes bancos dos EUA deram o pontapé de saída para a época de resultados. O JPMorgan, o Bank of America, o Citigroup e o Wells Fargo também anunciaram hoje aumentos nos lucros.
JPMorgan Chase lidera com números recorde
O maior banco dos EUA, o JPMorgan Chase, divulgou resultados excecionais que bateram confortavelmente as previsões. O lucro por ação (EPS) atingiu 7,70 dólares, contra um consenso de 5,72 dólares e 5,24 dólares do mesmo período do ano anterior. As receitas ajustadas ascenderam a 58,02 mil milhões de dólares, superando em grande margem a estimativa de 51,39 mil milhões de dólares. O resultado líquido subiu para 21,2 mil milhões de dólares (face a 14,99 mil milhões no trimestre homólogo).
A performance foi impulsionada principalmente pela banca de investimento, que gerou 3,90 mil milhões de dólares em receitas (acima dos 3,06 mil milhões esperados), com um crescimento de 30% nas comissões, graças ao aumento de fusões e aquisições e à recuperação das IPO.
A negociação de ações explodiu, atingindo 6,03 mil milhões de dólares (consenso: 3,98 mil milhões), refletindo um aumento homólogo de 86%, suportado pela elevada volatilidade decorrente das tensões geopolíticas no Médio Oriente, perturbações no tráfego marítimo e oscilações nos preços do petróleo.
A receita líquida de juros manteve-se estável em 25,62 mil milhões de dólares, o ROE subiu para 24% e o balanço continuou sólido, com empréstimos em 1,54 biliões de dólares e depósitos em 2,71 biliões. As provisões para perdas de crédito ficaram abaixo do esperado, reforçando a confiança na qualidade do crédito.
Citigroup com lucros impulsionados pela performance do segundo trimestre
O Citigroup reportou um forte desempenho no primeiro semestre de 2026, com um lucro líquido de 11,63 mil milhões de dólares e uma receita total de 49,4 mil milhões. O resultado foi impulsionado pelo crescimento em todas as cinco linhas de negócios do banco, superando as estimativas de Wall Street.
O Citigroup anunciou lucros líquidos de 5.831 milhões de dólares (cerca de 5.096 milhões de euros) no que toca só ao segundo trimestre, um forte aumento de 45,1% face ao período homólogo, superando estimativas à boleia do forte desempenho no trading.
As receitas entre abril e junho cresceram 14,3% em termos homólogos, para 24.766 milhões de dólares (21.635 milhões de euros), enquanto as despesas aumentaram 4,7% para 14.215 milhões de dólares (12.418 milhões de euros). O banco constituiu ainda provisões de 2.522 milhões de dólares, 12% abaixo do constituído um ano antes.
Goldman Sachs ajudado por trading “fortíssimo”
O Goldman Sachs registou resultados surpreendentes, impulsionados por um trading “fortíssimo”.
O Goldman Sachs registou um lucro de 12.258 milhões de dólares (cerca de 10.730 milhões de euros) no primeiro semestre do ano, um aumento de 45% relativamente ao ano anterior, informou esta terça-feira a entidade bancária.
Só no segundo trimestre, a Goldman Sachs registou um lucro de 6.628 milhões (cerca de 5.801 milhões de euros), um aumento de 78% em relação ao mesmo período de 2025 e de 18% comparativamente com o primeiro trimestre de 2026.
O banco indicou hoje que tanto o lucro por ação como as receitas atingiram valores recorde.
O Goldman assessorou mais de 1 bilião de dólares em fusões e aquisições anunciadas no primeiro semestre de 2026, um ritmo recorde para qualquer banco de investimento. A receita da divisão de gestão de ativos e património do Goldman ⁠subiu 20% para 4,60 mil milhões de dólares, mantendo a sua trajetória positiva.
Bank of America ajudado pelo negócio de compra e venda de ações
O  Bank of America (BofA) viu o lucro disparar, beneficiando de um recorde no mercado de ações. O Bank of America registou um lucro líquido de 17,658 mil milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, um aumento de 21,5% face ao período homólogo. O forte desempenho foi impulsionado pelo crescimento na gestão de património, nas operações de trading e nas atividades de investment banking.
Já o Wells Fargo superou expectativas, com a banca de investimento a dar um contributo decisivo para as contas.
O Wells Fargo teve um lucro líquido de 6,4 mil milhões de dólares no segundo trimestre de 2026, acima dos 5,5 mil milhões de dólares do período homólogo, segundo o balanço divulgado esta terça-feira, 14. O lucro diluído por ação do banco norte-americano fixou-se em 2 dólares, superando a previsão dos analistas compilados pela FactSet, de 1,72 dólares.
A receita subiu 9% na mesma comparação, para 22,62 mil milhões de dólares, também acima do consenso da FactSet, de 21,86 mil milhões de dólares.
As provisões para perdas com crédito totalizaram 914 milhões de dólares no trimestre,
Os números dos bancos norte-americanos números refletem um ambiente favorável: as fusões e aquisições globais já ultrapassaram os 3 biliões de dólares em 2026, com o JPMorgan a manter a liderança mundial e a participar em grandes operações como a oferta de ações da Alphabet (85 mil milhões de dólares) e a fusão NextEra Energy-Dominion Energy (67 mil milhões).
A recuperação da atividade nos mercados de capitais, combinada com volumes elevados de negociação, permitiu aos bancos compensar eventuais pressões noutras áreas, como a negociação de Renda Fixa (FICC), que ficou ligeiramente abaixo do esperado no caso do JPMorgan.
Apesar dos números impressionantes, a reação das ações tem sido relativamente moderada, sugerindo que grande parte das boas notícias já estava precificada. Analistas destacam que os bancos continuam a beneficiar de um contexto de volatilidade sustentada e de maior apetite por serviços de aconselhamento e trading por parte de clientes institucionais e empresas.
Com o primeiro semestre concluído em alta, os investidores aguardam agora os próximos trimestres para perceber se esta dinâmica se manterá, especialmente num ambiente ainda marcado por incertezas geopolíticas e macroeconómicas. Por enquanto, o setor bancário norte-americano demonstra resiliência e capacidade de gerar lucros acima do esperado.

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