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Brasil aprova gasolina com 32% de etanol perante volatilidade causada pela guerra

Brasil aprova gasolina com 32% de etanol perante volatilidade causada pela guerra

O Governo brasileiro aprovou esta terça-feira o aumento da mistura obrigatória do etanol na gasolina de 30% para 32%, pelo período inicial de 180 dias, tendo em conta os efeitos da guerra no Irão.
A medida, que entra em vigor a 1 de agosto no Brasil e poderá ser prorrogada uma única vez por mais 180 dias, atualiza o teor da mistura previsto na Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024.
A alteração permitirá ao país deixar de importar cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis adquiridos no exterior, segundo informou, em comunicado, o Ministério de Minas e Energia.
A resolução foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), tendo em conta a volatilidade do mercado internacional do petróleo e dos combustíveis, para reforçar a utilização de etanol produzido no Brasil na matriz energética nacional.
No comunicado, o ministério afirma que a decisão teve em conta a situação no mercado internacional de petróleo e combustíveis, “marcado pela volatilidade no abastecimento global”.
Em conferência de imprensa, o ministro de Minas e Energia, Alexandre de Silveira, confirmou que a aprovação de hoje tem relação com os efeitos da guerra no Médio Oriente.
“Os biocombustíveis nos colocam no protagonismo da descarbonização”, declarou, salientando que os investimentos do país em etanol e biodiesel garantem ao Brasil soberania energética.
Silveira também rebateu críticas do setor, que mostrou preocupação quanto à vida útil dos motores e dispositivos dos veículos mais antigos, que são mais sensíveis ao aumento da mistura do etanol anidro na gasolina.
“Estamos completamente seguros de avançar para essa mistura. Muitos dos nossos veículos circulam com 100% de etanol. Eles estão preparados”, completou Silveira, destacando a qualidade técnica dos institutos ligados ao Governo brasileiro que fizeram as pesquisas.
O Ministério de Minas e Energia reitera, no comunicado, que o aumento da mistura não danifica os componentes dos veículos, e que os testes foram realizados em veículos leves e motociclos “representativos da frota brasileira”.
Foram analisados o desempenho, a condução, o arranque a frio, o consumo de combustível e as emissões, tanto em laboratório como em condições reais de utilização, escreve.
Segundo os resultados divulgados, a utilização da mistura “apresentou um comportamento equivalente ao das misturas com menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, incluindo os equipados com motores não flex”.
O etanol anidro é um biocombustível produzido a partir de matérias-primas renováveis (cana-de-açúcar e milho), e, segundo a legislação brasileira, é misturado à gasolina antes da sua distribuição aos postos de combustíveis.
Em 2025, o etanol na gasolina subiu de 27% para 30% e o biodiesel no gasóleo de 14% para 15%, resultado dos avanços da implementação da lei do “Combustível do Futuro”, de 2024, que amplia gradualmente a mistura de biocombustíveis.
Alexandre Silveira adiantou que não há expetativa de aumentar para 35% o etanol na gasolina, valor limite estabelecido pela legislação, e que os testes irão continuar, sendo que uma possível alteração dependerá de uma avaliação económica.

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