Montenegro diz que vai continuar “a arriscar” mesmo que “aqui ou ali” as coisas corram “menos bem”
O primeiro-ministro afirmou hoje que o Governo vai continuar “a arriscar, mesmo que aqui ou ali as coisas possam correr menos bem”, e defendeu que “o país tem de perder o medo de falhar”.
Luís Montenegro falava no 1.º Encontro Ciência e Inovação 2026, no Centro de Congressos de Lisboa, onde esteve também o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.
Numa intervenção em que nunca se referiu diretamente aos problemas que se estão a registar na correção digital dos exames do ensino secundário, o primeiro-ministro começou por aproveitar o exemplo da ciência como uma metáfora para a estratégia que defende para o país.
“O país tem de arriscar. Investigar é arriscar. O país tem de ousar. Inovar é ousar. O país tem de perder o medo de falhar, porque só quem não tem medo de falhar é que consegue acertar verdadeiramente”, disse.
Mais à frente, admitiu que, tal como no setor científico, também no campo político “não é preciso que estejamos sempre todos de acordo”.
“Não vou dizer que nós procuramos na política a validação científica daquilo que decidimos, mas procuramos sempre que aquilo que decidimos seja o mais adequado e o mais sustentado na realidade, na realidade que temos hoje e na realidade que queremos construir para amanhã”, afirmou.
E, também no campo político, reiterou o princípio de preferir o risco.
“Também aí não nos importamos de arriscar. Mesmo que aqui ou ali as coisas possam correr menos bem, nós vamos arriscar na mesma. Até por uma razão moral, porque se nós incitamos a sociedade a fazê-lo, nós temos de ser os primeiros também a dar o exemplo”, disse.
Na sua intervenção, de cerca de meia hora, Montenegro aproveitou também para responder aos que consideram que a estratégia de valorização da administração pública é apenas eleitoralista.
“Ao invés daqueles que, de forma precipitada e muitas vezes superficial, entendem que a valorização da administração pública é apenas uma espécie de benefício que se dá a quem está mais perto de quem comanda os destinos da governação e que está a ser namorada para ter depois um retorno eleitoral, eu quero aqui dizer com todas as letras: o nosso investimento na administração pública é um investimento no serviço prestado ao cidadão, no serviço prestado à empresa e à sociedade”, afirmou.
À entrada, o primeiro-ministro foi abordado por representantes de uma concentração de investigadores científicos (algumas dezenas manifestavam-se a alguma distância da entrada do Centro de Congressos de Lisboa) pelo fim da precariedade na ciência.
A comunicação social não pôde acompanhar a conversa, mas foi audível que transmitiram ao chefe do Governo preocupações com o financiamento orçamental para a ciência e a situação de bolseiros precários há 20 anos. Também à saída não houve declarações do primeiro-ministro aos jornalistas.
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