Freedom24 diz que correção do ouro não abala fundamentos de longo prazo
A recente correção de mais de 25% no preço do ouro desde os máximos históricos do início de 2026 não altera os fundamentos de longo prazo do metal precioso, que continua a ser apoiado por compras recorde de bancos centrais, desdolarização e dívida pública elevada, segundo uma análise da corretora Freedom24.
Apesar da pressão no curto prazo provocada por uma inflação mais persistente nos Estados Unidos e pela redução das expectativas de cortes nas taxas de juro pela Reserva Federal (Fed), a Freedom24 considera que a atual queda reflete sobretudo uma alteração no “custo do dinheiro” e não uma deterioração estrutural da tese de investimento em ouro.
“A correção foi impulsionada por fatores macroeconómicos, e não por uma deterioração dos fundamentos”, afirma a análise da Freedom24. O fortalecimento do dólar e o aumento das yields das obrigações norte-americanas penalizaram o ouro, que não gera rendimento.
Os bancos centrais mantêm um ritmo elevado de compras de ouro, superior aos níveis pré-pandemia, como instrumento de diversificação das reservas internacionais num contexto de crescente fragmentação geopolítica. O processo de “desdolarização”, acelerado após o congelamento das reservas russas, também não deu sinais de abrandamento.
Além disso, os desequilíbrios orçamentais nas economias desenvolvidas e o prémio de risco geopolítico, embora menor do que no pico de janeiro, continuam a sustentar a procura por ativos de refúgio.
Alguns bancos de investimento, como a Goldman Sachs, reduziram as previsões de curto prazo para o ouro, enquanto outros, como JPMorgan e Bank of America, mantêm uma visão positiva para o médio e longo prazo. Segundo a Freedom24, as revisões não põem em causa o potencial de valorização futura, mas sim o timing dessa subida, dependendo da duração do período de taxas de juro reais elevadas.
Para os investidores, o cenário atual implica uma mudança de abordagem. “Investir em ouro já não representa uma aposta nos próximos meses, mas antes uma decisão de diversificação de carteira com um horizonte de longo prazo”, refere a corretora.
No curto prazo, o metal poderá continuar a oscilar num intervalo lateral entre 4.100 e 4.300 dólares por onça, altamente dependente das declarações da Fed. Já para investidores com perspetiva de vários anos, a correção recente pode representar níveis de entrada mais atrativos após o sobreaquecimento observado no início do ano.
A Freedom24 conclui que a tese de investimento de longo prazo no ouro “foi adiada, mas não anulada”, enquanto persistirem os fatores estruturais como as compras dos bancos centrais, a desdolarização, a dívida pública recorde e a incerteza geopolítica.
O ouro atingiu máximos históricos no início de 2026, impulsionado por um ambiente de maior incerteza global, antes de entrar em correção.
A Freedom24 é uma corretora de valores mobiliários autorizada pela CySEC.
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