Apenas 35% das ONGD portuguesas conseguem escalar soluções inovadoras, diz Fundação la Caixa
A grande maioria das Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD) portuguesas aposta em parcerias e na escuta ativa das comunidades, mas apenas 35% conseguem escalar as suas soluções inovadoras, revela um estudo divulgado hoje.
O relatório “A cooperação em transição: Estudo sobre as práticas e tendências que estão a transformar as ONGD em Portugal”, promovido pela Fundação la Caixa e realizado em parceria com a Stone Soup Consulting, conclui que o setor enfrenta um “paradoxo” entre a forte vontade de inovar e a capacidade real de o fazer de forma sustentável.
De acordo com o documento, apresentado em Lisboa na 17.ª Conferência Internacional da Sociedade Internacional para a Investigação do Terceiro Setor (ISTR), 97% das ONGD nacionais estabelecem alianças estratégicas e 93% praticam a escuta ativa.
Adicionalmente, cerca de 90% das organizações desenvolvem soluções em co-criação com parceiros locais.
Apesar desta orientação colaborativa, o estudo realizado entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 aponta limites na sustentabilidade e replicação dos projetos: apenas 45% das ONGD desenvolvem processos de prototipagem e só 35% alcançam escala nas suas inovações.
Os autores identificam a sustentabilidade financeira como um dos principais desafios, uma vez que as ONGD continuam “fortemente dependentes” da Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD).
O recurso a modelos híbridos, parcerias estruturadas com o setor privado ou investimento de impacto continua a ser reduzido, justificado pela escassez de informação, parceiros adequados e capacidade técnica (p. 2).O documento alerta ainda que a redução global da APD, agravada por cortes norte-americanos na ajuda externa e pela redefinição das prioridades da União Europeia, está a forçar uma reorganização do setor.
Em Portugal, a monitorização de projetos é generalizada, mas apenas 44% das organizações dispõem de sistemas estruturados de Monitorização, Avaliação e Aprendizagem (MEL), o que dificulta a demonstração de impacto e a tomada de decisões com base em evidências. Como exemplos positivos de inovação, o relatório destaca a Linha de Saúde 24h na Guiné-Bissau (promovida pela ONGD VIDA), a Escola de Artes e Ofícios de Bissau (da ACEP) e as Academias Girl Move em Moçambique.
A Fundação la Caixa anunciou também que vai destinar 56 milhões de euros em 2026 a projetos sociais, de investigação, educativos e culturais em Portugal, consolidando o concurso de Cooperação Internacional lançado no país em 2025 com o apoio do BPI.
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