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Allianz Trade: Empresas demoram 67 dias a recuperar dinheiro investido nas operações devido ao aumento dos inventários

Allianz Trade: Empresas demoram 67 dias a recuperar dinheiro investido nas operações devido ao aumento dos inventários

A Allianz Trade estima que as empresas demoram atualmente, em média, 67 dias a converter o dinheiro investido nas operações em receitas, um ciclo de conversão de caixa que se manteve em níveis historicamente elevados em 2025 devido à acumulação de inventários, num contexto de maior incerteza geopolítica.
Segundo o relatório anual da seguradora de crédito sobre os Prazos Médios de Recebimento (DSO) e o Ciclo de Conversão de Caixa (CCC), divulgado esta quinta-feira, o indicador global aumentou meio dia em 2025 para 67 dias, cerca de três dias acima da média da última década e próximo do máximo de 68 dias registado em 2023.
A Allianz Trade atribui esta evolução sobretudo ao aumento dos inventários, numa mudança de estratégia das empresas, que passaram de um modelo de gestão “just-in-time” para uma abordagem “just-in-case”, privilegiando a resiliência das cadeias de abastecimento em detrimento da eficiência.
“O indicador Days Inventory Outstanding (DIO) explica agora quase 80% do nível do CCC”, afirmou Maxime Lemerle, analista principal de investigação sobre insolvência da Allianz Trade, citado no relatório. Segundo o responsável, as empresas estão a imobilizar mais capital em existências para reduzir a exposição a perturbações geopolíticas e comerciais.
Na Europa Ocidental, o ciclo de conversão de caixa aumentou 1,8 dias em 2025 para cerca de 63 dias, invertendo a melhoria registada no ano anterior. A deterioração resultou inteiramente da acumulação de stocks, uma vez que o prazo médio de recebimento aumentou apenas 0,5 dias. Ainda assim, a região continua a apresentar o ciclo de conversão de caixa mais curto em 12 dos 20 setores analisados.
Entre os países, Espanha registou o maior agravamento do indicador, com um aumento de 8,3 dias, seguida de Itália (+3,9 dias) e Alemanha (+1,8 dias), enquanto França contrariou a tendência ao reduzir o ciclo de conversão de caixa em 3,1 dias. Os setores têxtil, do papel e químico foram os que mais aumentaram os inventários, ao passo que eletrónica e maquinaria reduziram o indicador.
A Allianz Trade prevê que o ciclo de conversão de caixa continue a aumentar em 2026, embora de forma moderada. Na Europa Ocidental, estima que o indicador suba para 65 dias, impulsionado por uma nova acumulação de inventários associada às repercussões do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, à revisão das políticas de segurança energética e ao reforço da resiliência das cadeias de abastecimento.
A nível global, a seguradora considera que o impacto será parcialmente compensado pelo investimento privado em infraestruturas de inteligência artificial e centros de dados, que deverá sustentar setores como informática, telecomunicações e software. Ainda assim, estima que cada dia adicional de inventários acrescente, em média, 1,16 dias ao ciclo global de conversão de caixa.

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