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Estado da nação: Ventura desafia primeiro-ministro a apresentar moção de confiança

Estado da nação: Ventura desafia primeiro-ministro a apresentar moção de confiança

O presidente do Chega, André Ventura, desafiou hoje o primeiro-ministro a apresentar uma moção de confiança ao parlamento e disse que o Governo está em “decomposição acelerada”.
Numa primeira intervenção durante o debate sobre o estado da nação, que decorre hoje no Parlamento, André Ventura afirmou que este é um “Governo em degradação acelerada, em decomposição acelerada”.
“Deve mesmo perguntar ao Parlamento se ainda mantém a confiança no seu Governo”, desafiou.
Na sua intervenção, o presidente do Chega considerou “muito estranho e caricato que o primeiro-ministro consiga chegar ao [debate sobre o] estado da nação sem dizer uma palavra sobre o que preocupa a nação e sem dizer uma palavra sobre os assuntos que estão a preocupar e a prejudicar a nação”.
“O seu discurso aqui hoje podia ter sido o de 2025, o de 2024, o de 2023, até francamente parecido com o do seu antecessor, António Costa. Vinha aqui, falava de tudo menos daquilo que estava a acontecer e saía daqui com aplausos na sua bancada, a saudá-lo pelo que não tinha feito e pelo que não estava a acontecer”, criticou.
André Ventura defendeu igualmente que “muitos falam de reformas, mas poucos a fazem tão mal como a seu Governo e como o Governo da AD”, e criticou ainda Luís Montenegro pelas idas aos Estados Unidos da América para assistir aos jogos da seleção nacional no campeonato mundial de futebol.
O líder do Chega argumentou que o primeiro-ministro “se deslocou três vezes para o mundial de futebol, enquanto o país ardia”, enquanto havia “o caos” nos exames nacionais e durante “uma crise brutal, gigantesca, na Administração Interna”.
“Nós queremos um primeiro-ministro não é para ir a jogos da seleção, é para trabalhar por Portugal”, salientou.
Ventura acusou ainda o Governo de não ter conseguido melhorar a resposta do Serviço Nacional de Saúde, referindo que “em 2025 havia 1.56 milhões [de utentes] sem médico de família e em maio deste ano há 1.67 milhões”.
“No fim de 2025 tínhamos 1.056.000 utentes à espera de uma primeira consulta. Aumentou mais 17% este ano enquanto o seu Governo estava em funções. Até a oncologia, que o senhor primeiro-ministro disse que ia atuar rapidamente, tem hoje 65% dos utentes para lá do tempo máximo de espera”, acrescentou.
Na resposta, o primeiro-ministro salientou que “o Governo é o primeiro-ministro, é a sua liderança, é a sua coordenação e depois são os ministros, são os secretários de Estado, e são as respostas que todos dão de forma organizada, de forma coordenada, de forma articulada”.
“E não obstante as situações mais delicadas com que fomos confrontados, não deixámos de estar onde devíamos e achávamos que devíamos estar. A ausência dessa imputação é o melhor reconhecimento de que a sua alegação não tem nenhuma sustentação”, indicou.
O líder do Governo disse que para André Ventura o estado da nação “é o estado dos órgãos de informação no dia em que o debate se realiza”.
“Sem embargo da necessidade de o Governo esclarecer as suas políticas, as suas decisões e ser escrutinado pela sua ação, para si é sempre tudo, tudo muito pouco importante, porque a importância só está na notícia do momento, naquilo que é a sua preocupação do momento”, criticou.
Luís Montenegro assinalou que Ventura “não falou de impostos, não falou de salários, não falou de investimento, não falou de habitação, não falou das políticas de educação como um todo, não falou da mobilidade, não falou de segurança, de justiça, de sensibilidade social, de empatia”.

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