Hovione envolvida em 10% dos fármacos aprovados pela FDA
A farmacêutica portuguesa Hovione voltou a abrir portas ao futuro, em Loures, com a inauguração esta semana de uma nova linha de produção de comprimidos, aumentando em 25% a capacidade industrial, permitindo criar 50 novos postos de trabalho qualificado nas áreas de produção, engenharia, qualidade, ciência e tecnologia, concluindo assim um ciclo de investimento de 40 milhões de euros.
Esta fábrica emprega 1250 pessoas, mas no total, a Hovione conta com 2.600 trabalhadores, de 60 nacionalidades diferentes — alguns já na quinta geração. O grupo possui quatro fábricas: uma nos EUA (New Jersey) e outra na Irlanda (Cork). Em Portugal tem uma Loures e está a investir numa nova unidade no Seixal. Por fim, Macau.
Mais do que uma expansão, o momento simboliza uma década de transformação. O projeto arrancou há cerca de dez anos. “Foi preciso adaptar o espaço para produção de comprimidos, com salas limpas e áreas dedicadas, que são bastante exigentes e caras de implementar”, explicou António Almeida, co-CEO da Hovione.
Hoje, esse local acolhe tecnologia de ponta que coloca Portugal no mapa global da indústria farmacêutica, nomeadamente com a linha de produção contínua (veja caixa). A nova capacidade não substitui o modelo tradicional: complementa-o. A Hovione trabalha com 19 das 20 maiores farmacêuticas do mundo e participa no desenvolvimento ou fabrico de “1 em cada 10 novos medicamentos que são aprovados anualmente pelo FDA”, sublinhou António Almeida. O que ajuda a perceber o peso da empresa num setor altamente competitivo.
Para Marco Gil, também co-CEO, o investimento responde a uma tendência clara: “Prevemos que a procura pelos nossos serviços continue a evoluir positivamente”. E acrescenta: esta expansão “reforça o papel de Loures como o principal centro industrial, científico e tecnológico da nossa rede global”.
“Este é um projeto que mostra como Portugal pode competir à escala internacional em setores de elevado valor acrescentado”, diz Manuel Castro Almeida, ministro da economia e coesão territorial, destacando ainda o contributo tecnológico da empresa: “A aposta em tecnologia contínua, que é uma inovação a nível mundial, coloca Portugal na linha da frente da indústria farmacêutica”. E deixou um aviso: “A Europa precisa de recuperar capacidade industrial na produção de medicamentos, e empresas como a Hovione são fundamentais para esse esforço”.
Exportar é o verbo que define a Hovione. Com uma faturação em 2025 de 550 milhões de euros e um crescimento médio anual de 10% nos últimos 15 anos, a empresa vende sobretudo para fora: os Estados Unidos representam entre 55% e 60% das receitas, seguidos pela Europa e pela Ásia.
Com Loures a atingir o limite físico — mesmo após um aumento de 25% da capacidade produtiva —, o próximo passo já está traçado: o Seixal. A nova unidade, com entrada em funcionamento prevista para 2027. “Vamos investir 200 milhões de euros nesta primeira fase”, anunciou António Almeida, sublinhando a visão de longo prazo: “Quando pensamos nestes investimentos não pensamos a 10 ou 20 anos, pensamos a 50 ou 60 anos”.
A escolha do Seixal não foi casual. “Os nossos clientes são internacionais, exportamos toda a produção e queríamos estar perto de um centro onde pudéssemos exportar e facilmente receber visitas”, explicou Marco Gil. A proximidade ao aeroporto, ao centro de investigação no Lumiar e à base de talento da região de Lisboa e da margem sul foram fatores decisivos. “Encontrámos um terreno que tinha as características industriais necessárias à nossa atividade, que nos permite acrescentar outras tecnologias, ter uma dimensão muito maior, e aceder ao talento”, diz.
Seis décadas após ter sido fundada por Ivan e Diane Villax, a Hovione continua a crescer — e a partir de Portugal. Entre laboratórios, fábricas e inovação, a empresa afirma-se como um dos raros casos de liderança mundial em tecnologia farmacêutica com origem nacional.
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