“Odemira? Afinal, temos 44 mil habitantes. Governo vai ter que assumir as suas responsabilidades”
As novas estimativas do INE relativamente à população residente em Portugal, com foco nos estrangeiros que escolheram o país para morar e trabalhar, serviram de mote para a intervenção de Hélder Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de Odemira, no 8º Colóquio Hortofrutícola, organizado pela Lusomorango e que tem lugar esta sexta-feira em Odemira.
O INE estimava que o concelho de Odemira tivesse uma população que não chegava aos 30 mil habitantes e com a revisão em alta da autoridade estatística, esse número já ultrapassa os 44 mil residentes. Para o autarca, “é expectável que o investimento no concelho possa aumentar e queremos encontrar soluções para que as pessoas possam ter acesso a condições de habitação dignas”.
“Afinal, temos 44 mil habitantes e se é assim, o Governo vai ter que assumir as suas responsabilidades”, avisou Hélder Guerreiro. E deu o exemplo da educação, área em que o concelho tem vindo a abrir novas turmas todos os anos, em virtude do aumento de residentes em idade escolar: “Há um défice de 3,5 milhões de euros entre aquilo que recebemos e o que pagamos na nossa relação com o Estado”.
Hélder Guerreiro revelou que a autarquia quer fazer um lóbi conjunto com a Lusomorango para que o Governo assuma um contrato-programa com Odemira: “Aqui temos o único concelho do país com mais população imigrante do que local. queremos mais saúde, mais educação, melhores acessibilidades e serviços públicos. E nem precisaríamos de chegar à percentagem que geramos em termos de valor para o país. Queremos que esta fileira produtiva possa ajudar-nos para que Odemira não seja o concelho com o rendimento médio mais baixo do país. Queremos ser um concelho atrativo, atrair talento e que venham para cá viver e investir. Aqui há um cluster de inovação como não há em mais lado nenhum do país”, salientou.
Ricardo Pinheiro, presidente da CCDR (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional) Alentejo, destacou os grandes desafios da região para os próximos anos, apontando a habitação e a educação como sérios desafios que se colocam aos responsáveis regionais. E alinhou com Hélder Guerreiro no plano em que possa ser efetivado um “lóbi justo” para que haja uma revisão de contratos.
“Temos 32 mil milhões de euros para gerir nos próximos anos e a coesão com o poder local vai ter que integrar a partilha dos grandes investimentos. é preciso conservar a estabilidade social que temos tido. precisamos de atividade económica sustentável. produzimos os melhores frutos vermelhos do mundo e temos aqui um pólo fantástico de energias renováveis que deve ter uma ligação com o setor agrícola”, salientou o responsável.
Share this content:



Publicar comentário