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Investimento com escala numa África repleta de oportunidades

Investimento com escala numa África repleta de oportunidades

África possui uma vantagem estrutural decisiva nos próximos 10 anos que se chama escala continental. Com cerca de 1,55 mil milhões de habitantes em 2025 e previsão de quase 2 mil milhões até 2035, aliado à Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA), o continente pode gerar economias de escala incomparáveis. Esta escala, combinada com o aumento do valor acrescentado sobre os recursos naturais e a conversão da ajuda internacional em investimento produtivo direto, permitirá transformar o dividendo demográfico em crescimento sustentado.
Atualmente, África oferece um mercado consumidor em rápida expansão, uma força de trabalho jovem e recursos naturais estratégicos essenciais para a transição energética global. O crescimento económico projetado para 2026 ronda os 4,0-4,3%, com potencial para superar várias economias emergentes.
A AfCFTA não é um detalhe, mas sim o multiplicador que torna viáveis investimentos industriais de grande dimensão. O continente detém cerca de 30% das reservas mundiais de minerais críticos e exportar estes recursos em bruto significa perder riqueza. Como tal, garantir a transformação destes recursos localmente é essencial. Um único país dificilmente justifica fábricas de baterias ou refinação de terras raras de escala global, mas um mercado integrado de 1,3 mil milhões de pessoas através do AfCTFA, com cadeias de valor regionais cria as condições necessárias.
Já existem sinais da confiança neste investimento, e em 2024, o IDE em África atingiu cerca de 97 mil milhões de dólares (um aumento de 75%), impulsionado por projetos em minerais e energia. A terceira grande alavanca de crescimento, na minha opinião, é a conversão progressiva da ajuda internacional em investimento produtivo direto. A ajuda internacional tem o seu papel, especialmente em crises humanitárias, mas revela limites claros de volatilidade e impacto. Em 2024, a redução da ajuda (incluindo o encerramento do USAID) teve efeitos menos impactantes do que se esperava, graças à mobilização da sociedade civil e ao investimento privado.
Hoje em dia, apenas 3% do IDE mundial se destina a África, e como tal, o caminho passa por usar a ajuda de forma transitória e catalisadora, priorizando reformas que reduzam riscos através de estabilidade regulatória, combate à corrupção e proteção ao investidor. A criação de Fundos soberanos bem geridos através do reinvestimento de receitas de recursos naturais pode ser também uma forma de gerar prosperidade.
As principais conclusões do EurAfrican Forum 2026 convergiram precisamente nesta direção. Ao longo de dois dias de debate entre líderes políticos, empresariais e institucionais, ficou claro que a próxima fase da relação entre Europa e África dependerá da capacidade de construir cadeias de valor conjuntas, acelerar o investimento privado, desenvolver infraestruturas estratégicas e apostar na industrialização sustentável do continente.
O consenso foi igualmente claro quanto à necessidade de substituir uma lógica predominantemente assente na ajuda ao desenvolvimento por parcerias de investimento, inovação e criação de valor partilhado, reconhecendo que o crescimento africano constitui uma oportunidade estratégica não apenas para África, mas também para a competitividade e segurança económica da Europa.
Estas três ideias, escala continental, captura de valor acrescentado nos recursos naturais e conversão da ajuda em investimento privado, reforçam-se mutuamente. A escala justifica fábricas modernas que aumentam a produtividade do trabalho, o capital privado financia infraestruturas e formação, e o valor acrescentado gera receitas que reduzem a dependência externa. Nos próximos anos, a escala continental é a maior oportunidade estratégica de África. A janela está aberta, cabe a África, com parceiros alinhados, transformá-la numa realidade duradoura.

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