Investimento em imobiliário comercial sobe 14% para 1,4 mil milhões no primeiro semestre
O investimento em imobiliário comercial em Portugal fechou o primeiro semestre de 2026 com cerca de 1,40 mil milhões de euros transacionados, uma subida de 14% face ao período homólogo, de acordo com o relatório Capital Markets H1 2026 da Savills Portugal.
O valor foi sustentado sobretudo pelo primeiro trimestre, que somou 914 milhões de euros, mais 39% do que no mesmo período de 2025. O segundo trimestre trouxe 491 milhões de euros, um valor mais próximo da média registada nos últimos anos para este período.
Essa dinâmica reflete-se também no número de operações. Foram concluídas cerca de 55 transações, mais 25% face a 2025, com um ticket médio de 27 milhões de euros, abaixo dos 34,2 milhões registados no primeiro semestre desse ano. O sinal é claro: o mercado está mais granular, com uma base de investidores mais alargada e menos dependente de um número reduzido de grandes transações.
Hotelaria lidera, mercado ganha diversidade setorial
A hotelaria liderou o semestre, com 508 milhões de euros investidos e 36% do volume total, um avanço de 54% face a 2025, apoiado na procura turística. Seguiu-se o retalho, com 464 milhões de euros e um peso de 33%, um recuo de 25% face a um primeiro semestre de 2025 elevado.
O setor industrial e logístico somou 164 milhões de euros, 12% do investimento do semestre, mais 48% face ao ano anterior, impulsionado por operações de portefólio. Já os escritórios somaram 68 milhões de euros, 5% do volume transacionado e uma queda de 49%. O resultado reflete sobretudo a escassez de produto prime disponível no mercado, não uma quebra da procura ocupacional.
O semestre ficou também marcado pela diversificação de classes de ativos. Os data centres começam a assumir mais relevância como classe própria, com 120 milhões de euros investidos, ancorados pela venda do campus da Covilhã. O segmento de living, alargado este ano às residências sénior, atingiu 71 milhões de euros, 5% do total, mais 79% face ao período homólogo. São dois sinais de um mercado que alarga o leque de ativos disponíveis para investimento.
Para Alexandra Gomes, Head of Research da Savills Portugal, o crescimento de 14% no investimento comercial no primeiro semestre de 2026 confirma que o mercado português continua a atrair capital mesmo num contexto de maior exigência financeira. “A combinação de um primeiro trimestre excecional, da diversificação setorial e da expansão da base de investidores demonstra que o mercado está a evoluir estruturalmente, tornando‑se mais resiliente a ciclos de volatilidade.”
Ao nível do capital, os investidores institucionais e os fundos de private equity concentraram, em conjunto, 63% do montante aplicado (46% e 17%, respetivamente). Por origem geográfica, Portugal foi a maior fonte individual de capital, com 38,1% do volume, mas o mercado continua a depender sobretudo de investimento internacional: 61% do total teve origem fora do país, com destaque para França, Reino Unido, Estados Unidos, Espanha e Suíça.
Share this content:


Publicar comentário